Minhas boas leituras de 2011

Este ano foi excelente! Boa parte do crédito é devida a alguns livros maravilhosos que me acompanharam. Vou compartilhar com vocês parte desta experiência citando algumas leituras que literalmente mudaram minha vida.

Morro dos Ventos Uivantes – Emily Bronte

UOU! Como pude passar tanto tempo sem ler este? Resposta rápida: preconceito. Acreditava ser mais um romance meloso que me entediaria até a morte. Nada disto! Este é sem sombra de dúvidas um dos melhores romances que já li. Fantástico!

É chocante quanta maldade a “simpática Emily” conseguiu enfiar em seu único livro. E sabem o que é mais legal? É um livro ultra barato e de domínio público.

Com este livro você vai aprender que sim: a coisa sempre pode piorar!

A Conquista da América – Tzvetan Todorov

Em determinado momento decidi que queria conhecer melhor minha história como latino-americano. Foi uma ótima idéia porque com ela adquiri uma compreensão melhor do mercado de trabalho e das razões pelas quais somos desta forma hoje.

Aliás, dois posts muito comentados neste blog: “Armadilhas para Desenvolvedores: os Exploradores” e “Hernán Cortés e o Software Livre” são diretamente influenciados por esta leitura.

O ponto de partida do livro é a questão do outro, ou seja, como é formada a imagem do índigena sob o ponto de vista europeu e vice-versa. Me ajudou bastante a compreender melhor como lidar com minha auto imagem e também a entender como a percepção que tenho dos outros é formada.

Resumindo: pra quem queria apenas entender melhor a história da colonização latino-americana, sai no lucro compreendendo melhor as formas de exploração adotadas pelo mercado e como nossa percepção do outro é formada.

Anti Patterns: Identification, Refactoring and Management – Phillip A. Laplante e Collin J. Neil

Uma das minhas buscas foi a de um ambiente de trabalho melhor. Como estou trabalhando com mais gente achei que seria importante aprender a lidar melhor com meus colegas de trabalho. E este livro foi uma descoberta maravilhosa.

Em Anti Patterns, o foco são exemplos que jamais devemos deixar acontecer em um ambiente de trabalho.  É uma leitura bem mais interessante do que mais um daqueles livros de gerenciamento que sempre me causam a impressão de estar vendo um mundo no qual as condições de temperatura e pressão são ideais. Longe disto!

Foi interessantíssimo porque durante a leitura percebi que devo ter passado por uns 70% dos terríveis exemplos citados (“sortudo”), o que me causou uma sensação confusa de orgulho (sobrevivi!) e tristeza. Uma tristeza produtiva que me fez executar uma série de melhorias em minha vida cujos resultados estão sendo muito bons.

Racing the Beam – The Atari Video Computer System – Nick Montfort e Ian Bogost

Foi o livro que me revolucionou tecnicamente: simples assim. O objetivo dos autores é mostrar como a arquitetura do Atari influenciou a criação de todos aqueles jogos que salvaram minha infância de um desastre total.

Virou minha leitura obrigatória que tento empurrar a todos aqueles que, assim como eu, não programam apenas para pagar as contas, mas sim porque AMAM a coisa. Não consigo negar a inveja que senti de programadores como David Crane (criador do Pitfall).

É aquele tipo de leitura que te faz repensar o modo como desenvolvemos software hoje. A pergunta que mantive após a leitura é a seguinte: temos hoje temos um ambiente de desenvolvimento fantástico, mas será que o nosso produto final faz justiça a todo o nosso poder de fogo, ou será que não nos tornamos no final das contas um bando de mimados?

Só por curiosidade: Pitfall tem 255 telas. Quanto elas ocupam de memória? 8 bits. :)

Mal-Estar no Trabalho: Redefinindo o Assédio Moral – Marie-France Hirigoyen

O livro acidental do final de ano. Nanna o tinha em mãos e eu por curiosidade resolvi levá-lo para o banheiro e, bem: ela ainda o está esperando. :)

Ta ai um assunto que nunca imaginei ser interessante.  Fui fisgado logo nas primeiras páginas. Finalmente consegui entender o que vêm a ser o tal do “assédio moral” e, sabe de uma coisa? Percebi que acidentalmente posso já ter cometido e sofrido assédios também.

Através de uma série de exemplos a autora vai mostrando ao leitor situações  que normalmente ignoramos mas que consistem em assédios. Pra aumentar a culpa de nós, assediadores acidentais (ou não), a autora ainda mostra os efeitos físicos do assédio em suas vítimas.

Leitura fantástica: está me fazendo rever de cabo a rabo a maneira como lido com meus colegas de trabalho. Recomendo a leitura para todos aqueles que não tem como objetivo de vida profissional a vida em isolamento ou que desejam um armamento teórico melhor pra lidar com o problema.

Alguns livros técnicos

Houve também alguns livros técnicos que me ajudaram bastante este ano. Abaixo está uma pequena lista daqueles que mais valeram à pena:

Compra do ano: um tablet meia boca

Se há um aspecto negativo em 2011 pra mim este se chama trânsito. Como eu ficava em média umas 3 ou 4 horas por dia preso neste inferno, comprei um tablet bem vagabundo. No caso, um Coby Kyros 7015, que me serviu muito bem por uns 6 a 8 meses até que seu carregador foi pro saco. Se você assim como eu ama ler e fica muito tempo no trânsito, é algo que vale à pena comprar.

Concluindo

Estes foram alguns dos livros que li neste ano e fizeram toda a diferença pra mim. Espero que estas dicas sejam úteis a alguém que por algum acaso tope com problemas similares.

Agora é esperar pelas leituras de 2012, que também prometem. E você? Que livros fizeram seu 2011?

PS:

e sim, já estou trabalhando no próximo vídeo da série sobre Groovy/Grails. Aguardem! :)

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