Groovy e Grails sem Pivotal: e daí?

groovylogoMinha história com Groovy e Grails é velha e você pode ler aqui. Quando vi ontem o post da Pivotal dizendo que não iriam mais financiar Groovy e Grails não achei que fosse uma notícia boa ou ruim. Para quem acompanha e trabalha com projetos open source (e já possuí alguma maturidade) fica claro que é apenas notícia. Financiadores de projetos open source vêm e vão, mas o que mantém viva a coisa é a comunidade.

Groovy e Grails já existiam bem antes da Pivotal e continuarão a existir depois. Um financiador ajuda bastante mantendo uma equipe focada no desenvolvimento do framework e linguagem, mas se você observar diversos outros projetos open source bem sucedidos notará que nem sempre existe este grande financiador. Normalmente são mantidos pela própria comunidade ou seus criadores originais que fazem dinheiro com consultorias, livros, artigos, etc.

Muitas vezes chegamos até mesmo a pensar que grandes instituições mantém projetos open source mas na prática quem realmente mantém é um grupo pequeno que se dedica ao projeto e que sequer é pago. Basta ver a infinidade de projetos mantidos pela Apache. Alguns exemplos? Wicket, MyFaces,  Apache Commons e a maioria dos projetos Apache. Isto sem mencionar projetos gigantescos que também são mantidos sem a figura do financiador monstruoso, mas sim seus criadores e comunidades. Alguns exemplos? Vaadin, Prime Faces, Ruby on Rails, VRaptor, jQuery, jFreeChart, HighCharts, JUnit . Estes são apenas alguns exemplos, mas se você fizer uma consulta, constatará a mesma coisa: projetos open source evoluem sem um grande mantenedor desde que possuam qualidade.

Mas ninguém usa Grails né?

Bom, no Brasil, apenas no Grails Brasil, temos quase 2100 membros cadastrados hoje. A imagem a seguir é um slide que costumo apresentar em minhas palestras com algumas empresas com as quais tive contato direto ou indireto. Repare: eu tive contato. A realidade é bem mais abrangente.

grails_no_brasil

E fora do Brasil, quem usa isto? De novo, mais um slide com alguns grandes players que usam Grails em seu dia a dia e muitas vezes você sequer se dá conta:

grails_fora_do_brasil

E a lista é pequena. A abrangência é muito maior que isto. Hà alguns sites inclusive que você pode consultar para ver casos de sucesso, como esteeste e este.

Sobre o futuro do Grails? Em março sairá a versão 3.0 que será ordens de magnitude superior ao que temos hoje e ainda será compatível com as versões anteriores. Mais do que isto, estão surgindo cursos aqui no Brasil (um é meu) sobre o framework, assim como eventos a partir deste mês.

 

Mas quem usa Groovy?

Groovy é simplesmente a segunda ou terceira (o segundo lugar fica empatado com Scala) linguagem mais usada na JVM: só perde para o Java. Já sabíamos disto em 2010, mas o uso da linguagem vai bem além do uso direto. Basta lembrar a quantidade de projetos que usam Groovy como dependência direta ou indireta. Alguns com dependência direta: Jasper Reports, Spring,  OpenEJB, Tapestry e tantos outros. E indireta, basta buscar em seu repositório Maven.  É uma das linguagens mais difundidas da história graças ao fato de ser fácilmente embarcada.

Isto sem mencionar o que nos espera para o futuro como, por exemplo, desenvolvimento para Android, que será tão revolucionário (ou mais) que o próprio Grails. E há também todo um ecossistema que vale muito à pena ser mencionado aqui: frameworks fascinantes como RatPack, Griffon, Spock, GPars e tantos outros.

Isto sem mencionar o fato de que o mecanismo de build mais popular atualmente e que mais tem crescido é inteiramente baseado em Groovy. Talvez vocês já tenham ouvido falar dele, se chama Gradle e é o novo padrão usado para o desenvolvimento de aplicações Android.

Comunidade Groovy e Grails

Além disto, é interessante lembrar da comunidade Grails. Há diversos grupos de usuários Grails e Groovy pelo mundo além de um ecossistema de plugins que hoje é imenso. E já mencionei os eventos internacionais como Gr8Conf e Greach totalmente dedicados a Groovy e Grails? Isto sem contar a participação massiva em outros eventos como JavaOne ou Devoxx e tantos outros. São tecnologias extremamente reconhecidas, tanto é que o Geeks Choice Awards do ano passado foi para quem? Groovy.

Se duvida do que digo, convido você a participar das diversas mailing lists que existem hoje tanto para Groovy quanto para Grails. Isto sem mencionar a nacional que é o Grails Brasil. Aliás, já adianto: neste mês começo uma série de eventos pelo país voltados a estas tecnologias. Nâo sou idiota a ponto de apostar em algo que não acredito. Aliás, como já disse antes aqui neste blog (versão em inglês), o valor social de Grovy e Grails neste país é imenso.

É tudo uma questão de postura

Eu sei que é assustador você apostar em uma tecnologia e de repente ver o maior financiador pulando fora. Você se questiona se haverá futuro e coisas do gênero, mas quando observa o tamanho e atividade da comunidade e passa a ter uma visão mais profunda do modo como o mundo open source funciona, estes medos somem pois normalmente só se teme o desconhecido.

Minha sugestão é que todos nós vejamos esta saída da Pivotal como uma excelente oportunidade. Convenhamos, ela não era tão boa assim. Em todos estes anos de Pivotal escrevi para eles diversas vezes e nunca fui respondido. Além disto é interessante observar que também mataram os fórums de Spring, Groovy e Grails movendo-os para o StackOverflow.

Se você realmente gosta de Groovy e Grails que tal parar de simplesmente esperar e ficar plantando o medo por aí e passar a retribuir um pouco para a tecnologia que ajuda a pagar suas contas (tal como eu faço)? Se não souber como, aqui estão dois links ensinando a ajudar a equipe Groovy e Grails.

Eu sei que acreditar no fim do mundo é uma idéia tentadora e fácil de ser abraçada, mas também sei como funcionam projetos open source. Apenas para lembrar, falamos a mesma coisa quando a Oracle comprou a Sun, lembram?  Disseram que o Java estava morto, que não evoluiria, etc. Hoje vemos que estaría morto se continuasse na Sun: a linguagem prosperou, o ecossistema aumentou e todos ganhamos com isto.

E também me lembro de um tempo em que Grails mais prosperou e cresceu. Uma época antes da Pivotal e da Spring Source, quando era um projeto pequeno mantido apenas por seus criadores em uma empresa chamada G2One e que tinha uma comunidade muito mais ativa e próxima dos desenvolvedores originais.

Sem a Pivotal voltamos à época da G2One e, sinceramente, vejo isto como uma excelente oportunidade. Há duas posições: você pode prosperar ou ficar falando bobagem por aí. Opto pela primeira.

PS:

Mas se você realmente acha que é fundamental haver um financiador aqui está uma pequena lista de candidatos: Netflix, RedHat, Oracle, Apache (não financiaria, mas sim ofereceria infraestrutura), Atlassian, MercadoLivre e, quem sabe, você e eu.

Posicionamento do Guillaume Laforge sobre Pivotal

Posicionamento do Graeme Rocher sobre Pivotal.

 

3 thoughts on “Groovy e Grails sem Pivotal: e daí?

  1. Cara, acho difícil alguém que trabalha com Java experimentar o Groovy e voltar para o Java kkkk eu simplesmente não vejo motivos para voltar pro java tendo o Groovy, sem contar que naturalmente vc usa qualquer biblioteca em java.

    Estou usando o groovy sem o grails, metaprogramacao, closure, lists, arrays, dsl, geracao de xml e json, cara é um sonho de todo programador Java!

    O groovy é mutio semelhante ao Ruby, Phyton, porém aproveitando todo o poder do java de forma transparante, e uma outra coisa legal, pode ser interpretada ou compilada, ou seja, eu tenho um projeto que apenas parte dele eu preciso que outras pessoas não tenha acesso, ai gero o .class, compilo o script.

    Para quem não gosta de linguagem de script, gosta de tipagem forte(eu) pode usar o InteliJ que se aproxima bastante os recursos que temos nas linguagens como Java, a parte de debug e algunas refatorações não deixaram a desejar.

    Eu estou apostando muito no groovy, tecnicamente falando não tem motivos para usar o Java direto, a pequena diferença em termos de performance entre as duas em geral compensa a mudança, apesar de que essa parte de performance é muito subjetivo, por exemplo, devido as possibilidades que o groovy nos dá, vc pode escrever um código mais simples do que em java para fazer a mesma coisa e com isso possa ser que em groovy fique até mesmo mais rápido. Essas diferenças de performance geralmente é imperceptível do ponto de vista do usuário final.

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    Kico (Henrique Lobo Weissmann) Reply:

    Rodrigo, é exatamente o que quero dizer.

    Quem usa, sabe do valor que tem e ajuda a manter a coisa através da divulgação, submissão de bugs, uso da tecnologia, etc.

    Não é a saída de uma Pivotal da vida que tira isto dos usuários.

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    Victor Reply:

    Exatamente.

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