Minhas boas leituras de 2017

Boas tradições não devem morrer, sendo assim aqui está aquele post anual no qual conto quais foram os melhores livros que li no ano. Minhas leituras se dividiram em dois grandes grupos: leituras técnicas e alguns livros que ouvi falar a respeito muitos anos atrás cuja curiosidade resolvi satisfazer em 2017.

Leituras técnicas

High Performance Mobile Web – Maximiliano Firtman

Se você quer saber como desenvolver interfaces web focadas em dispositivos móveis com desempenho extremo este é O livro.

É simplesmente maravilhoso: você começa com uma análise do ferramental disponível (os navegadores, as ferramentas de desenvolvimento presentes nestes), passando por uma crítica muito interessante à variedade de dispositivos em que nossas aplicações podem ser executadas até que finalmente nos fornece uma série de dicas de implementação que tornam os projetos realmente muito mais eficientes.

Fazia muito tempo que um livro não me ensinava tantos truques novos. Foi maravilhoso aprender tantas coisas novas.

HTML & CSS: Design and Build Websites – John Duckett

Este é um livro que se você for comprar, terá de ser a versão física. O comprei para o pessoal iniciante da Itexto na área de desenvolvimento frontend e, numa boa? Só me arrependo de não o ter comprado ANTES. Torna todo o processo muito mais claro justamente por ser visual.

Não o vejo como um tutorial, mas mais como um catálogo visual que ilustra as diversas funcionalidades presentes tanto no HTML quanto CSS. Além disto é muito bem escrito. Dica para as editoras brasileiras: traduzam este livro!

Me impressionou muito o fato de um livro técnico poder dizer tanto com as imagens que apresenta. O mais próximo que posso te mostrar é link sobre o livro na Amazon, que tem algumas imagens. Um trabalho maravilhoso. Clique aqui e compre.

Bullet Proof SSL and TLS: Understanding and Deploying SSL/TLS and PKI to Secure Servers and Web Applications – Ivan Ristic

Se você quer entender como funciona toda esta questão de certificados digitais, HTTPS, SSL, e cia, o livro é este. É fantástico, por que ao mesmo tempo em que apresenta estas tecnologias com um nível de detalhamento bastante aprofundado, o faz de uma forma bastante didática.

É inclusive um fato curioso: pouquíssimos profissionais DE FATO entendem como o HTTPS funciona. Vai muito além da instalação de certificados digitais e configuração de servidores. E este livro ajuda bastante nesta direção. Aliás, uma dica: existe um site da editora (Feisty Duck) no qual é possível baixar excelente material a respeito destes assuntos e que é totalmente gratuito. Segue o link.

Groovy in Action – Segunda Edição – Dierk Konig, Paul King, Guillaume LaForge, Hamlet D’Arcy, Cédric Champeau, Eric Pragt e John Skeet

Já havia lido anos atrás a primeira versão deste livro, e a segunda é uma atualização maravilhosa não só sobre Groovy, mas também sobre alguns outros astros que estão ao redor da linguagem, que ainda é a minha favorita.

Se é para indicar um único livro sobre Groovy, seria este. Claro, há o meu sobre Grails também, no qual já iniciei o trabalho de atualização para lidar com a versão 3 do framework.

O bacana deste livro é que é extremamente bem escrito: é uma leitura leve, e você não precisa ler inteiro em uma sentada. Dá para ler de uma forma completamente não linear, o que o torna uma excelente obra de referência.

Nenhum livro técnico de qualidade nacional?

Nenhum que valha à pena mencionar. Tudo o que li em português este ano de 2017 achei extremamente pobre e em alguns casos cheguei a me questionar se realmente houve um trabalho de revisão antes de serem publicados.

As mesmas críticas que fiz em 2016 se aplicaram a 2017 e vou além: a qualidade do que li piorou. Essencialmente uma série de tutoriais disfarçados de livros sem qualquer aprofundamento. Sobre estas minhas críticas, recomendo que você as leia aqui e aqui.

(pensando seriamente em fazer algo a respeito)

Livros que não falam de programação diretamente

Este ano resolvi buscar por livros sobre os quais ouvi algo a respeito no passado, deixei passar, mas cuja curiosidade continuou no decorrer dos anos. Então resolvi buscá-los e matar esta dívida literária.

Só os Paranoicos Sobrevivem – Andrew Grove

A primeira vez que ouvi falar deste livro foi em 1999, na revista Info Exame (ou PC Magazine). Se você não sabe quem é o Andy Grove, já te digo: é um dos responsáveis pelo fato da Intel ser hoje o que é, e foi o mentor de pessoas pouco conhecidas, tais como Bill Gates e Steve Jobs.

(você pode saber muita coisa a respeito da biografia do Andy Grove neste episódio (em espanhol) do podcast La Tortulia (meu podcast favorito))

O livro é sobre as mudanças repentinas que ocorrem tanto na vida profissional quanto na pessoal, e como podemos (e devemos) reagir a estas mudanças.

Grove era um excelente escritor, sendo assim a leitura é extremamente fluída, e do ponto de vista histórico, é fascinante, pois toma como ponto de partida o bug do Pentium. Quando lançado pela Intel, o Pentium era sua grande aposta, e foi descoberto um bug no modo como eram realizados cálculos usando ponto flutuante. Foi um momento de crise para a empresa, que se aproveitou da situação para dar a volta por cima e se tornar o gigante que é hoje.

(não é curioso que o mesmo esteja se repetindo agora com esta história do Meltdown nos chips da Intel?)

Foi o livro que mais me inspirou este ano: o li na versão em inglês que comprei para o Kindle. Ao buscar a versão em português nos sebos descobri que estava sendo vendido por valores altíssimos (200 Reais!).

High Output Management – Andrew Grove

“Só os Paranóicos Sobrevivem” causou um impacto tão grande em mim que passei o resto do ano lendo os livros de Andrew Grove (e também sobre ele). O outro livro que trouxe um profundo impacto para mim foi este, e a razão é simples: este foi o ano em que comecei a lidar mais diretamente com gestão e menos com desenvolvimento. Então, por que não aprender com Grove como gerenciar uma empresa?

E o livro é justamente sobre isto: sobre seu método de gestão baseado em feedback constante. É uma leitura muito interessante, e me ajudou a detectar diversos problemas que consegui tratar durante o ano.

Steve Jobs – Valter Isaacson

A famosa biografia do Steve Jobs também teve um impacto muito grande em mim este ano, mas confesso que não foi por causa do Steve Jobs, mas sim pelo seu autor. Este livro é muito interessante pelo seguinte: é raríssimo um biógrafo ter contato direto com o biografado (vivo!) durante a escrita de sua biografia, e foi justamente isto o que ocorreu aqui.

Dois fatores me encantaram no livro: o primeiro é o encantamento do biógrafo pelo biografado, o que fica gritante no livro. O esforço que Walter Isaacson faz para que Steve Jobs não fique com sua imagem manchada como um grande filho da puta chega a ser hilário durante o livro. Fica claro o conflito interno do autor: digo que este sujeito era um fulano insuportável ou o maqueio um pouco mais? Esta foi minha impressão, mesmo existindo relatos de que Steve Jobs deu carta branca ao autor (duvido).

(em uma entrevista Walter Isaacson chega a mencionar que irá queimar boa parte das gravações que fez com Steve Jobs, o que considero uma pena)

O segundo é o capítulo final que talvez seja uma das coisas mais bonitas que já li, no qual é contada a razão pela qual Steve Jobs não curtia botões de desligamento. É realmente lindo e muito sensível este capítulo.

Há um foco imenso na Apple e Pixar: acho que poderia ter falado um pouco mais sobre a NeXT, mas é uma leitura legal, eu recomendo.

Friends in High Places – Laton McCartney

Chegou para mim nas últimas semanas de 2017 e ainda não terminei, mas achei que seria interessante mencionar aqui. É essencialmente a biografia de uma empresa, não qualquer empresa, mas sim a Bechtel.

Talvez você não a conheça, mas é uma das maiores empresas de construção civil do mundo, fundada no final do século XIX e bem viva e operante até hoje. Ela está por trás das principais obras de engenharia do século XX, e este livro é justamente sobre esta história, mas mais do que isto: é a descrição do fato de que se você conhece as pessoas certas que ocupam posições privilegiadas, consegue-se qualquer coisa neste mundo.

É uma leitura fascinante, que mostra de uma forma bastante profissional como funcionam as engrenagens do poder nos EUA (e consequentemente no mundo). Como disse, ainda não terminei, mas está me impactando bastante.

Now it can be told – Leslie Groves

Este livro chegou junto com o “Friends in High Places” para mim e também não terminei, mas tem sido uma leitura que está me impactando HORRORES.

Não sou uma pessoa belicista mas confesso que o projeto Manhattan sempre me fascinou. Não conhece? Foi o projeto que resultou na bomba atômica durante a segunda guerra mundial lá nos EUA. E Leslie Groves, autor do livro, foi o general responsável pela gestão deste projeto.

E se você gosta de história este livro é um prato cheio, especialmente se levarmos em consideração o autor. Quando pensamos na bomba atômica vêm em mente Oppenheimer, que era o responsável pelo desenvolvimento científico e Groves sempre é posto de lado, como se fosse um personagem secundário, quando na realidade era bem o oposto.

Em alguns momentos Groves é inclusive retratado como um toscão. Durante a leitura fica claro que esta imagem é muito distante da realidade. Vejo aqui um gestor brilhante, que conseguiu no tempo hábil (apesar de ter gasto uma verdadeira fortuna) concluir o projeto de algo que tinha pouquíssima comprovação prática.

É fascinante ver como Groves lidava com a questão dos egos dos cientistas e, ainda mais interessante, o fato da física experimental o tempo inteiro se comprovar na prática com pouquíssima experimentação prévia.

O livro tem lá suas partes mais cansativas, pois Groves faz a descrição cronológica dos fatos, o que o torna um pouco massante nestes pontos, mas são momentos raros. No geral é uma leitura maravilhosa.

(e uma dica: o prefácio é do Edward Teller, outro monstro da física do século XX).

Leitura recomendadíssima!

Um ano de boas leituras

Em 2017 senti muita falta de bons autores brasileiros que eu pudesse colocar nesta lista. Infelizmente, tal como já mencionei, as leituras em língua portuguesa que encontrei (especialmente técnica) se mostrou muito, muito ruim. Fiquei bastante chateado com o fato da qualidade ter piorado, algo que achava não ser possível, mas para 2018 estou mais otimista.

Uma dica: comecei a ler um livro sobre JavaScript, em português, que está se mostrando promissor. Ainda não mencionarei qual é, mas comprovando sua qualidade, podem ter certeza de que escreverei um post aqui só com o review a seu respeito.

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