Armadilhas para desenvolvedores: os exploradores

Cristóvão Colombo: empreendedor do século XV que se daria muito bem na área de TI do século XXI

Recentemente li dois livros maravilhosos que me fizeram repensar o mercado de desenvolvimento de software: “As Veias Abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano e “Brevísima relación de la destrucción de las Indias”, de Bartolomé de Las Casas. O assunto é o mesmo: o modo como as Américas foram brutalmente exploradas e os indios dizimados pelos espanhóis e portugueses.

Transpondo para a minha realidade, percebi que os exploradores ainda atuam, só que na área de TI do século XXI. Há uma nova “etnia” a ser explorada: os tais dos desenvolvedores, que “curtem tanto o que fazem que muitas vezes trabalham até de graça” (já ouvi isto). Ah, e claro: usar a palavra “explorador” depois deste passado sangrento pega muito mal: então a palavra da vez é “empreendedor”. Nada pode dar errado (e raras vezes da).

Primeira tática: escambo

“Oi Nativo, tudo bem? Tenho um negócio massa pra você: que tal você me dar o seu ouro em troca destas minhas pedrinhas brilhantes mágicas? Topas?”

A frase me soou tão familiar que fiquei vermelho de vergonha. Um empreendedor te procura com uma idéia maravilhosa, porém não pode lhe pagar em espécie. No lugar, te oferece algum bem não financeiro, como por exemplo um video game, parceria (vou falar mais sobre parcerias logo à frente), computadores ou alguma outra bobagem cuja liquidez seja mínima ou inexistente. E você aceita rindo!

Ah... o escambo!

Logo em seguida você rala feito um louco e entrega o resultado final ao “empreendedor”, que sempre pede alguma coisa a mais, muitas vezes ultrapassando em muito o valor do que você recebeu.

Me desculpe cagar na sua janta amigo, mas se você topou (assim como eu), você fez papel de otário. Isto porquê o sujeito não lhe pagou o valor REAL do seu trabalho, mas o custo reduzido que ele tem para obter a bugiganga que te empurrou. Então, se seu trabalho valesse R$ 100,00 e você recebe como pagamento um livro de R$ 100,00, na realidade nosso amigo empreendedor te pagou R$ 60,00 no máximo.

E… tem outra: contas normalmente são pagas em dinheiro, não em missangas. Mesmo que você venda a porcaria que recebeu, só o seu trabalho em tentar obter liquidez com esta joça já diminuiu ainda mais o seu ganho.

Segunda tática: divulgação

“Oi Nativo, tudo bem? Se me fornecer seu trabalho, contarei para o meu Deus a seu respeito, e este jogará sobre ti graças infinitas!”

Recebi um e-mail HOJE que é uma transcrição deste papo furado. Segue abaixo:

“Oi Henrique, tudo bem?

Acompanho seu blog há muito tempo, e sei que você é referência em Groovy/Grails. Estamos iniciando um projeto que terá grande visibilidade nacional e gostaríamos de te ter como parceiro, o que se pagará para ti como uma publicidade monstruosa.

Topaz?˜

Ah... a fama!

E você vê a possibilidade de fazer inúmeros clientes e contatos. Claro que você vai topar: afinal de contas, o sucesso depende de contatos, certo? Vai ser uma publicidade monstruosa! O que poderia dar errado?

Tudo.

Seguinte: publicidade monstruosa é aparecer o SEU nome na mídia REAL, e não em comentários de rodapé em reportagens de revistas que não valem nada ou num boca a boca pouco expressivo que é o que realmente acontece.

Publicidade REAL se obtém fazendo um bom trabalho, tarefa esta que é REMUNERADA e RECONHECIDA pela QUALIDADE. Quer saber de uma coisa? ESTA é a melhor divulgação possível: quando sua obra é citada porque atendeu BEM o cliente e este, satisfeito, te indica para outras pessoas.

Ou então, quando o cliente não te indica para ninguém mas, sabendo que este está satisfeito, você mesmo publica o case no seu site. Por favor: não caia nesta arapuca como já cai inúmeras vezes.

Terceira tática: parcerias

“Nativo! Tudo bem? Olha: acho que podemos crescer trabalhando juntos. O que me diz de participar comigo de um ou mais projetos sob o regime de parceria?”

Ah... as parcerias!

Quem trabalha com desenvolvimento e NUNCA recebeu um e-mail com a proposta de entrar de sócio em uma parceria na qual nada pode dar errado que atire o primeiro monitor LCD de 42 polegadas!

Sabe o que é mais engraçado? Percebi que os desbravadores que te propõem parcerias não sabem, eles mesmos, o que é uma! Só pra lembrar, uma parceria deve lidar claramente com as seguintes questões:

  • Claramente, qual é o objetivo em comum?
  • Como será a distribuição dos ganhos E, ainda mais importante, dos gastos? Qual o capital a ser usado  e qual será sua distribuição?
  • Quais os objetivos individuais de cada participante? (fundamental para evitar a concorrência entre os membros)
  • Qual a distribuição das tarefas?
  • Qual o plano de negócios?

Se você mandar esta lista de perguntas pro “proponente” e ele não te responder TODAS, já te digo qual o tipo de parceria que você está entrando: escravidão. O sujeito tá procurando mão de obra gratuita pra um projeto que, numa boa? Provavelmente não irá pra frente.

Se não passar, você não tem uma relação de parceria, mas sim meramente comercial, na qual ambos os lados querem apenas maximizar o próprio lucro (não há nada de errado com isto).

Por quê é assim hein?

A culpa é 80% nossa. Muitas vezes, gostamos TANTO do que fazemos que acabamos ficando muito bons na coisa e começamos a achar fácil o negócio. E então surge o seguinte pensamento: “ah, isto é fácil! Não vou cobrar muito”, ou então o pior deles “não acredito que estão me pagando pra fazer isto!”(!!!).

Gente: escrever software NÃO é fácil. Se fosse, já existiriam geradores de código eficazes pra executar esta tarefa e programadores não existiriam mais. Se seu software é de qualidade, não há problema ALGUM em cobrar o valor justo pelo seu trabalho.

Nossa formação também não é comercial. Somos desenvolvedores: projetamos e escrevemos software, não contratos comerciais. Mas ai é preciso fazer alguns questionamentos:

O que é “caro”?

Vais sair mais caro que minha caravela!

Simples: algo é caro quando o valor investido é maior que o ganho esperado. Pagar por um tablet xingling o preço de um iPad é caro, porque ele não te traz o mesmo ganho. Ao mesmo tempo, contratar um profissional com valor hora de R$ 1000,00 por um dia pra resolver seu problema num projeto cujo valor é R$ 1.000.000,00 não.

Sendo assim, se o desbravador vier pra cima de você com o papo de “seu trabalho tá muito caro”, levante as seguintes perguntas:

  • Qual o ganho esperado pelo resultado do meu trabalho?
  • A qualidade do seu trabalho vale o que você está cobrando? Faça uma auto-crítica. Será que você é realmente tão bom assim quanto se vende? Em caso afirmativo, baseado em quais FATOS?

Exemplo: o cliente tem um servidor de R$ 3000,00 para executar o seu sistema. Se você propõe R$ 3500,00 e ele te diz que ta caro, porque o PC dele custou menos que isto, você pergunta o seguinte: “qual o valor do seu PC sem o meu software?”

Se agrega valor não é caro: é investimento. O bandeirante ainda acha caro mesmo após ter justificado o valor? A solução é fácil: diga-lhe que consulte o mercado em busca de outras soluções. Normalmente não vale à pena.

Como você justifica o custo?

É muito fácil virar para o seu cliente e dizer: “custa X”. Custa X porque? Qual a unidade empregada? Numa boa: oferecer valores injustificados alimenta o desbravador contra você. Acredito ser fundamental ter alguma métrica a ser exposta, seja esta qual for: homem hora, pontos de função, casos de uso, que seja.

O importante é ter uma linguagem em comum pra não ter de escutar depois o “ta caro”. Sem esta, você está simplesmente alimentando indefinidamente esta merda toda.

Lembre-se do seguinte: no seu valor deve vir inserido todo o tempo que você investiu com estudo, pesquisa e aprimoramento. Este esforço não deve em hipótese alguma ser negligenciado. Não se aperfeiçoa em algo simplesmente pra ser o melhor nela e por assim ficar. Não! Este investimento DEVE ser refletido no seu valor hora.

Como eu evito cair nesta?

Nossos empreendedores tem uma arma tão poderosa quanto as espadas e a pólvora: o dinheiro. É fato: você precisa dele pra sobreviver, e não pode em maneira alguma se queimar no mercado. Mas ao mesmo tempo, assim como você depende do cliente, o contrário também é verdade.

Segue aqui então uma lista de atitudes que tem me ajudado a escapar destes ataques uns 70% das vezes:

  • JAMAIS faça nada de graça (ô arrependimento!): as pessoas não valorizam o gratuito. Você com certeza receberá um obrigado, mas não mais do que isto.
  • Cobre o justo: não esfaqueie seu cliente. Cobre o valor correto para manter uma relação de longo prazo.
  • Não comece a trabalhar antes de ter um orçamento aprovado (neste caso, o errado é você que se afobou)
  • Valorize-se: se seu trabalho fosse tão fácil assim, não estariam te procurando pra fazê-lo.
  • Seja honesto: é a única forma de ter moral em qualquer negócio e também de se diferenciar da multidão de picaretas que destroem nossa imagem

Concluindo

Uma vez eu ouvi a seguinte frase: “se trabalho fosse bom, não te pagavam pra isto”. A resposta foi imediata:

“Olha: meu trabalho É bom. AMO o que faço, então me dedico ao ofício. Consequentemente, vou ser um dos melhores.
As pessoas me pagam portanto não é porque é ruim, mas porque não conseguem executar a mesma tarefa que executo, no tempo que faço e com a qualidade que ofereço.”

PS: fui muito influenciado pelo excelente blog do Luiz DiVasca @divasca, cujo link é http://divasca.blogspot.com/. Precisamos de mais gente com sua coragem.

94 thoughts on “Armadilhas para desenvolvedores: os exploradores

  1. Henrique mais uma vez parabéns pelo Post, acho q as situações que vc mencionou no post estão cada dia mais presentes no nosso dia a dia de desenvolvedor, sem contar que cada dia mais o termo “Acho q meu sobrinho faz isso pra mim” está se tornando realidade.

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    admin Reply:

    Oi Nelson, legal que tenha gostado, valeu!

    Sabe, eu desconfio que o sobrinho é invenção do diabo! :D

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  2. Excelente post.
    Acabei de ler minha vida (infelizmente). Gostaria de ter lido esse post há uns anos atrás, me pouparia de passar por uma situação bem chata e complicada em que me meti. Fui colonizado…

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    admin Reply:

    Que bom que gostou Paulo.

    Esses colonizadores vivem aprontando das suas!

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  3. Excelente post.

    Me fez sentir um otário por aceitar por inúmeras vezes esses malditos exploradores…

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    admin Reply:

    Oi Ulisses, legal que tenha gostado.

    Sabe uma maneira que encontrei pra resolver o incômodo de ficar recebendo este tipo de proposta cretina? Eu escrevi este post.

    A partir dai, já tenho uma resposta automática pra este tipo de baixaria. Tem me poupado muito tempo :D

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  4. Fala Kico!

    É meu primeiro comentário em post seu, então vou contribuir também hehe

    Muito se fala em libertação desse tipo de serviço onde o “contratante” só quer seu produto de trabalho em troca de reconhecimento, visibilidade, tapinha nas costas, pamonha, paçoquinha… Mas muito pouco se fala em formas de oferecer um contrato saudável na hora de fazer aquele freela.
    Ontem o Carlos Brando fez uma postagem muito bacana sobre esse tema e acho que pode ser uma boa dica de como se dar bem em situações onde a princípio não tinha nem condição de negociar: http://nomedojogo.com/2011/09/12/contratos-onde-todos-ganham/

    Se vc escuta a proposta e retorna com um contrato pro cliente assinar ele já passa a te tratar com uma visão diferente. Bobo ele já ve que vc não é.

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    admin Reply:

    Ei colega da Eteg!

    Cara, eu concordo demais da conta com você, e é o que eu digo no post: o que gera este tipo de picaretagem não é o picareta em si, mas nós, “nativos” que não temos qualquer formação gerencial e acabamos fazendo este tipo de monstruosidade.

    Massa o texto!

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  5. Uso Linux … ele é de graça … e foi feito por pessoas que trabalham …. de graça. :D E parte do meu trabalho é oferecido …. de graça.

    Tenho problemas pessoais com capital ?
    Sim …. mas capital não compra paz de espírito. ^^

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    admin Reply:

    Bom, não entendi muito bem o seu comentário e o que quer dizer, mas discordo com relação à parte “de graça”. Não, não é de graça.

    Quem contribui com projetos open source não visa na maioria das vezes o ganho direto e trivial que é o financeiro, mas sim o indireto a partir do próprio reconhecimento.

    Aliás, o conceito de ganho também precisa ser melhor pensado. Não necessáriamente (e este é um caso) é o financeiro.

    Se não fosse assim, os commits seriam todos anônimos.

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    Álvaro Osvaldo Reply:

    Vou aprofundar um pouco tema do ganho.
    E para isso vou citar meu amigo Jorge Raúl Olguín.

    Ele é um importante pesquisador da área da psicologia e fez um trabalho praticamente revolucionário na área dele. E de quebra publicou tudo isso de graça.

    Com isso ele ganhou prêmios e reconhecimento por seu trabalho. Mas aindan não ficou milhonário. :O

    E bom …. se ele poderia publicar de forma anônima para quem eu enviaria um e-mail para aprofundar certas questões do tema ? :O

    No caso de meu amigo, ele publicou de forma gratuíta pois queria que as pessoas tivessem a liberdade de ler e distribuír o trabalho dele sem que questões financeiras impedissem isso.

    E bom …. o que isto tem haver com software ?
    Várias vezes temos um software tão bom e tão útil que chega a ser uma pena não oferecer ele para o maior número de pessoas. :O

    E bom …. haverá algum ganho com isso ?
    A menos que a pessoa coloque a própria foto no software talvez não tenha nenhum ganho palpeável.

    Mas cuidado, isso não desconsidera o tema dos exploradores e explorados.
    Sei que pessoas assim realmente existem, mas também tem pessoas de boa fê que podem ser confundidas. :O
    E no caso do software livre, ou da pesquisa livre, isso é bem fácil de confundir. :O

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    admin Reply:

    Uai Álvaro, eu concordo com você. Mas de qualquer maneira, há ganho ai. Reconhecimento é um ganho inegável.

    Sendo assim, o termo “de graça” não se aplica. De graça só se for anônimamente

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    Álvaro Osvaldo Reply:

    Então vou responder de forma irônica.
    Até mesmo quem oferece algo de forma anônima está ganhando algo …. nem que seja paz de espírito. :D

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  6. “Várias vezes temos um software tão bom e tão útil que chega a ser uma pena não oferecer ele para o maior número de pessoas.”

    Não acredito em “Madre Tereza Software”, tem que ter um ganho nesta história, que seja o reconhecimento entre a comunidade e assim conseguir trabalhos remunerados, como por exemplo, consultorias.

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    Álvaro Osvaldo Reply:

    Se eu colocar no currículo:

    Desenvolvi 0,000001% do código do Linux em 2008.
    Mas infelizmente esse código não esta disponível pois alguêm que achou que ele era lento e fez um melhor.

    …. onde esta o mérito ?

    Sei que existe, pois a pessoa colocou um tijolo nisto tudo. E isso é importante.

    Porém, se essa informação não for de utilidade para o currículo da pessoa …. então onde esta o lucro ?

    Eu por exemplo não tenho certeza dos nomes dos programadores que desenvolveram o Linux. :O

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    admin Reply:

    Oi Álvaro, me desculpe a burrice, mas realmente não consegui entender até agora o que seus comentários tem a ver com este post :)

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    Álvaro Osvaldo Reply:

    É simples. :D

    Digamos que do nada aparece uma pessoa e diz
    – “Ei Humano, vamos montar um grande programa. Mas não tenho nada para oferecer em troca. Você pode trabalhar de graça ?”.

    A primeira vista pode parecer um explorador. Mas só a primeira vista.
    Existe ainda a possibilidade de ser uma pessoa bem intencionada. :O

    Mas como diferenciar um explorador de uma pessoa bem intencionada ? :O

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  7. Eu constantemente sou aliciado por empreendedores que nada sabem do mercado web e só faltam pedir para seus sites servirem cafezinho, até que eu parei para valorizar o meu trabalho, sumiram quase que por encanto.
    Chega um momento em que ficamos já calejados, nas primeiras linhas do e-mail do sujeito já percebemos o que é conversa fiada.

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  8. Excelente, as always.

    Mas infelizmente aquele que trabalha em um nível mais técnico é educado a entender somente o seu trabalho e não a arte da negociação, e principalmente em calcular o valor do próprio trabalho. É necessário ter jogo de cintura pra não espantar os empreendedores, pois eles também nos trazem oportunidade, mas o discurso precisa ser sempre uma mão lavando a outra com a mesma água – explico: se ele quer lucrar dinheiro, eu também lucro dinheiro. Se ele quer “lucrar” conhecimento, tudo bem, eu posso fazer por conhecimento. Quando isso fica claro, acredito que a negociação é justa.

    PS.: Isto me faz lembrar os judeus, que não aceitam você compre um produto pelo preço proposto sem que você negocie. Eles tem este conceito de “business justice” enraizado em sua cultura, pois não há um verdadeiro acordo se ambos não cooperam entre si. É algo que admiro muito.

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    admin Reply:

    Opa, que bom que gostou Wanderson, valeu!

    Pois é: exatamente o que digo no post: nós não temos esta formação que, vendo hoje, deveria ser dada, nem que muito de leve nas faculdades.

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  9. Parabéns pelo post! Como você começou fallando sobre portugueses e espanhois, foi impossível não lembrar de uma frase de origem portuguesa: o cliente sempre tem razão! E você ponderou muito bem a respeito desta razão. Ótimo post!

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    admin Reply:

    Valeu Alessandro!

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  10. Parabéns, Henrique.

    A exemplo de alguns colegas aí, me vi nesse artigo. :-(

    Gostei muito da comparação com nossos índios. Infelizmente é isso que vivemos mesmo. Queremos algumas coisinhas que dizem que vão brilhar em troca do que adquirimos a custo de noites sem dormir, ausência de família e vida social.

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  11. Ótimo post! As imagens estão ótimas,o texto excelente. Melhor do que muito artigo de Info Exame e correlatas.

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    admin Reply:

    Uau, valeu Josir.
    Quem sabe um dia eles não me contratam :D

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    Josir Reply:

    Toma cuidado pois eles podem querer te contratar em uma das modalidades que você descreveu no post ;)

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    admin Reply:

    E há 90% de chance de eu cair :( :D

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  12. Estou iniciando agora na áerea, finalizando curso de lógica de programação que tem como base o uso do groovy para os scripts.
    Confesso que boiei na maioria dos tópicos aqui do blog. Entretando passei 2 horas sem sair da frente do monitor devorando o conteúdo que, muito bem escrito e com toque de humor muito inteligente, faz a leitura ser facilmente absorvida.
    Parabens!
    Com certeza tirarei muito conhecimento daqui no futuro.
    Abraços,

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    admin Reply:

    Oi Marcelo, que bom! Valeu!

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  13. Boa noite

    Estava lendo o artigo e nunca me enquandrei tanto no que leio, eu sou programador à 15 anos e ainda caio em situações como as descritas no artigos e nos comentários.
    Aí me pergunto sou eu quem deve mudar o pensamento de que todos são bons até que errem, ou que todos são errados até que acertem.
    Sempre fui voluntário para tantas causas e agora fico pensando se sou voluntário realmente ou o otário o idiota que se deixa explorar constantemente.
    Parabéns e tomara que mais pessoas que assim como eu ainda deixam a nossa profissão ser explorada constantemente.

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  14. Boa noite Henrique!
    Geralmente acho os blogs e só leio de verdade duas semanas depois (preguiça, confesso)… engraçado que o seu foi diferente! Uma pessoa postou num grupo o texto sobre Cobal, deixei a aba aberta por 2 horas e qnd li, diria que foi fatal! Meu sono morreu por mais 3 horas! hahahaha, por isso você está de parabéns!
    Inclusive, já compartilhei um dos posts (sobre Abuso no Soft. Livre) no grupo da faculdade..

    Geralmente eu leio todos os comentários de um post antes de realmente comentar nele, assim evito vários comentários dizendo a mesma coisa (ou pelo menos tento evitar), mas acho difícil que tenha alguém na mesma situação que eu… por isso comentarei… rs

    Sou caçula, minha irmã aprendeu a programar com um namorado e eu com ela… resultado: numa família de dois filhos, os dois são programadores! rs, Meu sobrinho também já está querendo entrar nessa… e vou te dizer, não há nada tão bom quanto o orgulho no final do trabalho!
    Acabei indo pra uma escola técnica, entrei pra faculdade de CC semestre passado,
    Essa ladainha toda pra dizer que trabalho com isso já tem dois anos! Ou melhor, apenas dois anos! Refazendo as contas, menos de dois anos, pois entrei no primeiro estágio em jan/2011… mas fiz alguns trabalhinhos antes sem uma empresa de fato.
    Fiquei preso a esse texto ao perceber que em menos de dois anos eu já cai em 70% dessas negociações! Desde agosto/2011 que eu tive que sair da empresa onde trabalhava para cursar a faculdade em tempo integral, mas ainda tenho
    que pagar as coisas (passagem, comida, lazer, etc) e por isso continuei trabalhando mesmo de casa e isso me tornou vulnerável a esses urubus!

    1º) Home Office – Arranjei uma empresa onde faço freelance fixo, home office. Não paga bem como deveria (com a comissão chega lá, pena não ser algo fixo), porém dá pra me manter se eu não abusar. O problema dessa armadilha é que home office significa que o contratante lhe procurará a todo momento, exigirá vc online até que as tarefas do dia sejam alcançadas. Não importa hora, dia, temporada. E vc não reclamará, afinal está precisando… mas apesar disso estou feliz com esse que arranjei pois ele é justo. Se o trabalho do mês for bom, a comissão aumenta. Duvido que com outros seja assim (já passei pela mão de outros)

    2º) Parceria/Contratado – numa empresa novata (2 meses) me chamaram (indicado) para iniciarem os projetos. “Vamos te contratar e em outros projetos vc será parceiro.” Resultado: empresa novata não paga bem, quer fazer muito, te enche de trabalho. Durante o expediente você trabalha nos projetos para os quais foi contratado (entrega rápida), e mesmo assim te cobram pelos projetos que vc é parceiro, ou seja, “trabalhe para mim mesmo depois das 6h diárias!”. Nem na parceria e nem no contrato pagavam bem ou eram justos com a carga de trabalho, rapei fora!

    3º) Amigo – “faça esse sistema para mim, eu poderei divulgar para os meus colegas de profissão e te indicar”. Nunca indicam e por ser amigo vc cobra pouco.

    4º) Parceria – foi a última que entrei e ainda estou “enfiado até o c´ ” (Bernard Cornwell – Crônicas Saxônicas). Vai pagar mal, projetos grandes, prazos apertados. E provavelmente não poderei me dar ao luxo de recusar pois preciso cuidar da minha saúde físicao-mental (não posso ficar o dia inteiro no computador, lendo livros e estudando… devo ter algo para esvair e por isso quero praticar algum esporte mesmo que poucas vezes na semana) e também quero fazer um curso relacionado à minha profissão pois ainda acho meus códigos muito imaturos.. e aí? rs Investimentos só podem ser feitos quando temos para investir.

    Impressionante como em pouco tempo os predadores caem em cima da carne fresca, fico até triste. rs
    ps: acho que extrapolei no tamanho do comentários : |
    Att,
    Thiago

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    Kico (Henrique Lobo Weissmann) Reply:

    Oi Thiago, que legal que tenha gostado, valeu!

    E extrapolou nada, acabou complementando muito bem o post, valeu demais!

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    Thiago Reply:

    Que bom! =D

    Parece que o assunto anda me perseguindo, mas achei que talvez vc gostasse do vídeo… este achei por intermédio de uma professora de administração.. e é impressionante como o que vc escreveu no post, o que eu escrevi no comentário e o que ele fala no vídeo é a mesma coisa! O interessante é que ele ainda completa com o perfil do funcionário que essas empresas procuram… o vídeo é esse abaixo:

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  15. hahhahahaha

    identifiquei varios pontos da minha vida nesse post XD

    principalmente nas parcerias

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  16. Só tem um grande problema na analise.
    Ainda é muito qualitativo e muito pouco quantitativo como quase todos que vejo por aí.

    A grande solução que achei e é grande pra mim e por isso chamo assim, hahaha. Foi estabelecer custos necessários, como por exemplo, o custo do almoço na região se não for remoto, tipo de tecnologia empregada… etc. isso tudo adicionando da minha hora padrão.

    Responda

  17. Isso mesmo.. obrigado pela ajuda que voces (http://www.itexto.net) !!!
    muito obrigado acredito que voces nao so visao lucros como valores humanos.. coisa que na area de TI e muito dificil encontrar !!
    obrigado mesmo pelas dicas, precisamos disso…
    pois todos pensao que nao somos analistas e sim magicos que con click no muose solucionamos tudo!!! e o melhor de graca!!! como se malabaristas de semaforos!!!

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    Kico (Henrique Lobo Weissmann) Reply:

    Opa, valeu Rafael!

    Responda

  18. Muito bom Henrique só li este artigo 2 anos depois alias quase , mesmo assim vejo que ele ainda reflete bem o cenário da tecnologia embora podemos adicionar mais um contexto a ele ” Oi nativo que tal se você trabalhar com mais e cobrar menos , e você recebera seu lucro de acordo com grandes demandas” realmente me deixa frustado isto pois existem alguns que prostituem a profissão cobrão preços muito baixos e usam matérias de péssima procedência acabando por denegri a T.I. e a deixando em segundo plano.

    Abraços. Continue assim.

    Responda

    Kico (Henrique Lobo Weissmann) Reply:

    Oi Àlex, obrigado.
    Este é uma variação interessante também: soa como “vou te pagar com ações no futuro”>
    É. Ações vazias. :)

    Responda

  19. A culpa é 80% nossa. Muitas vezes, gostamos TANTO do que fazemos que acabamos ficando muito bons na coisa e começamos a achar fácil o negócio. E então surge o seguinte pensamento: “ah, isto é fácil! Não vou cobrar muito”, ou então o pior deles “não acredito que estão me pagando pra fazer isto!”(!!!).

    Fatídico !

    Responda

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