Novo guia da Itexto: SDKMan

Infelizmente o Jenv (http://jenv.io) ficou fora do ar por um bom tempo (pelo menos os últimos cinco dias). Então, junto com Daniel Altarmiro, escrevemos um novo guia, desta vez sobre o SDKMan, tendo como base o nosso antigo guia do Jenv.

Entrei em contato com a equipe responsável pelo desenvolvimento e manutenção do projeto pelo Gist, e por lá pude ver que a situação já dura um bom tempo infelizmente.

Vocês podem baixar o guia clicando aqui.

Iniciando a Semana JavaScript

Mais um avanço no JavaScript Brasil: lançamos esta semana a newsletter, chamada “A Semana JavaScript”. O objetivo é compartilhar eventos, treinamentos, vagas de emprego, material e tudo o mais relativo ao JavaScript para que possamos manter a comunidade bem informada semanalmente.

Naturalmente este é um esforço da comunidade, sendo assim, qualquer um poderá compartilhar links para que sejam publicados na newsletter. Para tal vamos incluir um formulário no site do JavaScript Brasil para que todos possam compartilhar conteúdo (inclusive anonimamente se preferirem): o importante é divulgar coisas importantes para a comunidade.

Caso deseje se inscrever, basta preencher os dados presentes neste formulário.

E acessar o JavaScript Brasil para acompanhar as novidades!

Uma instância do Tomcat atendendo dois domínios? Configurando Virtual Hosts

Imagine a seguinte situação: você tem um único servidor e duas aplicações distintas que serão hospedadas na mesma máquina. Cada uma destas aplicações tem, por sua vez, seu próprio domínio (www.aplicacaoquente.com.br (aplicação A) e www.aplicacaofervente.com.br (aplicação B), por exemplo). Como você resolve esta questão usando apenas o Tomcat?

Se você tiver o servidor Apache instalado, é possível usá-lo como front-end do seu servidor e, configurando o recurso do proxy reverso, simplesmente fazer o direcionamento das requisições vindas dos dois domínios acima para as aplicações A ou B. Mas e quando você tem apenas o Tomcat? Razoavelmente simples: você usa o recurso dos hosts virtuais (virtual hosts daqui pra frente).

(A documentação oficial do Tomcat sobre este tema é muito ruim, e isto me motivou a escrever este post.)

O que é um host virtual?

Um host virtual representa o direcionamento que o Tomcat fará quando receber solicitações para um dado domínio. No exemplo deste post, temos os dois domínios, um para cada uma das aplicações. Vamos ver aqui agora como realizar esta configuração na versão 8.0 e 8.5 do Tomcat.

Como configurar os virtual hosts

Antes de iniciar, uma simples convenção. CATALINA_HOME representa o diretório no qual o Apache Tomcat encontra-se instalado em seu servidor.

O primeiro passo consiste em editar o arquivo CATALINA_HOME/conf/server.xml. Busque pela tag <Engine> cujo atributo name seja igual a “Catalina”, tal como no exemplo a seguir:


<Engine name="Catalina" defaultHost="localhost">

<!--For clustering, please take a look at documentation at:

É no interior desta tag que iremos inserir as configurações de nossos virtual hosts. A configuração é bastante simples. Em nosso exemplo, basta incluir duas tags <Host>, tal como no exemplo a seguir:


<Host name="aplicacaofervente.com.br" appBase="webapps" unpackWARs="true" autoDeploy="true">
<Alias>www.aplicacaofervente.com.br</Alias>

<Valve className="org.apache.catalina.valves.AccessLogValve"
directory="logs"   prefix="aplicacaofervente_access_log" suffix=".txt"
pattern="%h %l %u %t %r %s %b" />
</Host>

<Host name="aplicacaoquente.com.br" appBase="webapps2" unpackWARs="true" autoDeploy="true">
<Alias>www.aplicacaoquente.com.br</Alias>

<Valve className="org.apache.catalina.valves.AccessLogValve"
directory="logs" prefix="aplicacaoquente_access_log" suffix=".txt"
pattern="%h %l %u %t %r %s %b" />
</Host>

Muita atenção a alguns atributos muito importantes presentes na tag <Host>:

  • appBase – define o diretório “webapps” daquele host. No caso de virtual hosts, é uma boa ideia você ter um diretório “webapps” por host. Em nosso exemplo, criei dois diretórios: CATALINA_HOME/webapps e CATALINA_HOME/webapps2
  • name – identifica o domínio para o qual serão direcionadas as requisições. Observe que defini o domínio sem o “www” na frente. Isto por que no interior da tag <Host> podemos incluir aliases, observe a tag <Alias>: ela inclui o prefixo no nome do domńio, o “www”.

A tag <Valve> neste caso é usada para configurar uma válvula do Tomcat (um recurso poderosíssimo e muito pouco conhecido pelos desenvolvedores) responsável por registrar as requisições que chegam ao servidor em um arquivo de log. Observe que criei um arquivo de log por domínio.

Muita atenção em relação à pasta appBase

É possível ter dois virtual hosts apontando para a mesma pasta appBase. Entretanto, em diversas situações você observará que as aplicações, durante sua inicialização, entram em “loop de boot”, ou seja, são iniciadas e reiniciadas infinitas vezes.

Não sei ao certo o que causa este problema, mas sei como solucioná-lo: uma pasta appBase por host. Simples assim.

Alguns links úteis

É interessante que você conheça os atributos que podem ser inseridos nas tags <Engine> e <Host>. Sendo assim, recomendo que leia sobre a primeira tag aqui e sobre a segunda aqui.

Definindo o host padrão

Com isto nosso servidor está praticamente pronto. O mesmo endereço IP irá atender aos dois domínios. Mas e se alguém tentar acessar o servidor diretamente pelo seu IP? Neste caso definimos qual o host padrão na tag <Engine>, tal como exposto no exemplo a seguir:


<Engine name="Catalina" defaultHost="localhost">

Neste exemplo criei uma tag <Host> cujo nome é “localhost” (é inclusive o host padrão da configuração limpa do Tomcat).

Sobre o contexto das aplicações em um domínio

Se você já usou o Tomcat sabe que é possível ter mais de uma aplicação instalada na pasta CATALINA_HOME/webapps. Voltando ao nosso exemplo, imagine que para o domínio aplicacaofervente.com.br tivéssemos os seguintes arquivos WAR na sua pasta webapps:

  • ROOT.war
  • administrativo.war

A aplicação padrão do domínio seria o ROOT.war. Já se você quiser aplicar o administrativo, teria de usar o endereço http://www.aplicacaofervente.com.br/administrativo

Melhorias no consumo de memória

Talvez as aplicações que você hospeda em seus virtual hosts tenham bibliotecas em comum. Apenas se você tiver certeza absoluta de que compartilham exatamente as mesmas versões destas bibliotecas, considere a configuração de uma pasta compartilhada de libs. Recomendo a leitura desta página na documentação oficial do Tomcat sobre class loading.

Concluindo

Reinicie o seu Tomcat e faça testes enviando requisições para os dois domínios que apontam para o mesmo IP e veja o resultado. Na sequência, acesse o servidor diretamente por seu IP e verá ser retornada a aplicação padrão definida na tag <Engine>.

O Tomcat é cheio de recursos muito interessantes que os desenvolvedores desconhecem. Em um futuro próximo talvez escreva mais dicas sobre estes assuntos (dica: leia sobre as válvulas).

Experimentando o Apache Tapestry

Recentemente começamos um projeto de evolução de uma aplicação web escrita em Apache Tapestry. Já fazia um tempo que não ouvia falar a seu respeito (uns seis anos pelo menos), então esta foi a oportunidade perfeita (e necessária) para que finalmente eu estudasse um pouco a seu respeito, e o que estou aprendendo tenho achado muito interessante.

Nota importante: este é um post escrito por um iniciante no assunto (eu). Sendo assim toda correção é bem vinda!

O que é o Apache Tapestry e minhas primeiras impressões

Uma definição bem vagabunda: “é framework para desenvolvimento de aplicações web, baseado em componentes, voltado para a plataforma Java”. Isto não incita ninguém a correr atrás da ferramenta, especialmente se levarmos em consideração que não vemos muitos artigos escritos a seu respeito nos últimos anos. Sendo assim neste post vou escrever uma aplicação de exemplo que ilustra seu funcionamento.

Meu primeiro contato com Tapestry foi através de artigos na Internet e revistas em 2004/2005: anos mais tarde, lá por 2011, trabalhei em uma empresa que tinha alguns projetos baseados neste framework, mas eu mesmo jamais tive qualquer contato com estes projetos. Como nunca fui fã de frameworks que fossem baseados em componentes, torci o nariz para o projeto, até este mês (agosto/2017), quando precisei estudá-lo.

O que gostei no Tapestry

  • Altíssima produtividade – o projeto implementa um mecanismo de carregamento automático de classes que nos possibilita modificar o código fonte (Java) e ver as mudanças imediatamente na aplicação em execução, sem qualquer necessidade de reiniciar a aplicação.
  • O modelo de desenvolvimento – uma aplicação escrita em Tapestry essencialmente é um conjunto de páginas (este não é um framework voltado para a escrita de APIs REST). Uma página é basicamente uma classe Java e um arquivo de Template que reflete o estado dos objetos instanciados desta classe.
  • POJO puro (ou quase) – você não precisa implementar interfaces neste framework. Classes Java simples (e portanto fáceis de serem testadas) fazem todo o trabalho, e ainda há um container de IoC embutido que cuida de todo o ciclo de vida destes objetos.
  • É muito rápido – o desempenho é inacreditável. O carregamento dinâmico de classes que mencionei acima, por exemplo, é praticamente instantâneo.
  • Gestão interessante de sessões – o modo como Tapestry lida com sessões do usuário é muito bacana. Você não tem um objeto “session” ou algo similar: ao invés disto, os atributos das páginas que mencionei acima são tratados como tal de uma forma completamente transparente para o desenvolvedor.
  • É extensível – pelo pouco que pude ver na documentação oficial do projeto, é possível integrá-lo com o Spring, o que abre um universo de possibilidades. Este link mostra algumas extensões publicadas além da documentação instruindo como aplicar o Spring e Hibernate no projeto.
  • Baseado em Maven (e Gradle) – isto é ótimo, pois me possibilita abrir o código fonte em praticamente todas as IDEs Java do mercado hoje.
  • A documentação oficial – é boa, apesar dos problemas que vou citar a seguir (talvez este ponto seja uma contradição). Ela quebra o galho, mas não é ideal.
  • Bom suporte no Eclipse – há bons plugins para o projeto (estou usando o Tapestry Tools). Neste link há algumas opções, mas você as encontra fácil no Eclipse Marketplace.
  • Convenções sobre configuração – você quase não precisa editar arquivos de configuração no Tapestry, basta seguir as convenções que o framework oferece, mas sem te prender a uma forma pré-fixada: é possível mudar, até onde pude ver, qualquer comportamento do framework.
  • Desenvolvimento do projeto continua ativo – apesar de não ouvir falar do Tapestry já faz um bom tempo, fiquei muito feliz ao ver na página de release notes que sai pelo menos um (no máximo 2) release importante por ano do framework.
    (talvez seja um release por ano pelo fato do projeto já estar maduro, o que é um ponto bastante positivo)

O que não gostei

  • Alguns problemas na documentação – No momento da escrita deste post a documentação do framework (especialmente a sessão “Tutorial“) estava quebrada, e os trechos que envolvem o código fonte não estava muito legível, o que dificulta a vida de quem está dando os primeiros passos.
    O “Getting Started”, por exemplo, está desatualizado (durante a escrita deste post), e você não conseguirá criar o projeto se seguir o passo a passo.
  • Ausência de uma comunidade brasileira – no site oficial estão listadas algumas mailing lists, mas apenas em inglês. Infelizmente não encontrei muitos artigos escritos em português, o que, por mais que muitos não creiam, dificulta a adoção da ferramenta em território nacional.
    (sobre a falta de artigos em português, comecei a fazer minha parte. Conforme vou aprendendo mais sobre o Tapestry posto por aqui).
  • Comunidade mundial pouco ativa – ao menos esta foi minha impressão. No Facebook, por exemplo, só encontrei um grupo contendo seis membros, e na mailing list de usuários há poucos posts novos por mês também.
  • Poucas issues no Jira do projeto e ausência de um roadmap para as próximas versões – este é um ponto de atenção: não vi muitas issues abertas no Jira da comunidade que digam respeito a novas funcionalidades, especialmente no que diz respeito à próxima versão, que será a 5.5.0.
    Também não encontrei um roadmap para as próximas versões: o máximo que encontrei foi um antigo documento (marcado inclusive como desatualizado) para a versão 5.0 do projeto.
    Estes pontos levantam dúvidas a respeito da evolução do projeto e se ele estará acompanhando as próximas tendências do mercado, o que conta como ponto negativo na sua adoção para novas aplicações.
  • Não é bom para se escrever uma API REST – o objetivo do Tapestry claramente é a criação de aplicações no sentido “páginas interativas”, não para a escrita de APIs. Na documentação oficial, por exemplo, você não vê qualquer menção ao desenvolvimento deste tipo de projeto (ao menos esta foi a impressão, enquanto iniciante, que tive do projeto).

Notas sobre a popularidade do framework e se você deve adotá-lo ou não com base nisto.

Tapestry, assim como Grails, Wicket, Play e outros não é o que podemos chamar de uma opção “mainstream”, tal como o Spring (aliás, de todos os frameworks fora do Java EE, talvez o único mainstream seja o Spring) ou Java EE (puro,o que inclui o JSF). Sendo assim, quaisquer comparações em relação a estas opções é descabida de fundamentação.

No caso do Java EE, ainda mais, especialmente se levar em consideração o fato de que todos os demais frameworks dependem deste para funcionar (o que consequentemente o tornará sempre o mais popular).

O que levo em consideração na adoção destes frameworks (que são verdadeiras armas secretas) é a atividade da comunidade que possuem e a quantidade de releases anuais. Normalmente quando não ocorrem releases por mais de um ano levanto o sinal amarelo.

A propósito, já escrevi sobre este tópico neste link alguns anos atrás, mantenho minha opinião e já está na hora de escrever outro post a respeito.

(e ei, se você curte uma tecnologia e não escreve sobre ela por não ser tão popular, só tenho uma coisa a te dizer: SHAME ON YOU!)

“Olá Mundo” com Tapestry

O código fonte pode ser baixado neste repositório do GitHub.

O que você vai precisar

  • Maven 3 – http://maven.apache.org 
  • Java (JDK) 1.8 (para a versão 5.3.8 pra frente do framework. As anteriores tem de usar o Java 7 ainda)
  • Qualquer IDE que ofereça suporte a Maven (o projeto vai abrir em qualquer uma, no meu caso estou usando o Eclipse junto com o plug-in Tapestry Tools.

É uma aplicação bem simples, só pra mostrar os conceitos de páginas, componentes e o modus operandi do framework, sendo assim não esperem muita coisa daqui.

Criando o projeto com Maven

No link “Getting Started” do projeto você lerá que deve executar o comando a seguir:

mvn archetype:generate -DarchetypeCatalog=http://tapestry.apache.org

Não funcionará com o Maven 3: você topará com a seguinte mensagem de erro:

[ERROR] Failed to execute goal org.apache.maven.plugins:maven-archetype-plugin:3.0.1:generate (default-cli) on project standalone-pom: archetypeCatalog 'http://tapestry.apache.org' is not supported anymore. Please read the plugin documentation for details. -> [Help 1]

Isto é fácil de resolver: basta usar uma versão anterior do plug-in archetype do Maven, tal como a 2.4 no exemplo a seguir:

mvn org.apache.maven.plugins:maven-archetype-plugin:2.4:generate -DarchetypeCatalog=https://repository.apache.org/content/repositories/staging -Dfilter=org.apache.tapestry:quickstart

Após metade da Internet ser baixada para seu computador, serão aprsentadas 10 opções de arquétipos a serem escolhidos. Para o nosso exemplo adotei a opção “20” que equivale à última versão disponível do Tapestry (5.4.3).

Na sequência você precisará responder algumas perguntas:

  • O nome do grupo (groupId) – no exemplo: br.com.itexto
  • O nome do artefato (artifactId) – no exemplo: inicio-tapestry
  • Sua versão
  • O pacote no qual o código fonte se encontra (isto é importante e veremos mais a respeito mais à frente) – no exemplo: br.com.itexto

Respondidas as perguntas, será criado um diretório cujo nome equivale ao artifactId do projeto. Para testar o projeto, mude seu diretório corrente para o criado pelo projeto e execute o comando abaixo:

mvn jetty:run

Será iniciado o servidor Jetty, embarcado no projeto. Sim, seu ambiente de desenvolvimento está pronto. Acessando a URL http://localhost:8080, exposta na saída do prompt, você se deparará com a seguinte página:

clique sobre o link: ele aponta para uma URL similar ao artifactId que você forneceu ao criar o projeto. Agora você verá a página de boas vindas do Tapestry.

Dica: dá pra criar o projeto de uma forma muito mais simples usando o Eclipse, tal como descrito neste link.

A estrutura do projeto

A estrutura de diretórios criada pelo arquétipo do Maven

Importe o projeto Maven para a IDE de sua preferência, pois iremos alterar levemente este código fonte para expor o funcionamento do Tapestry. O arquétipo do Maven cria alguns sub-pacotes que são importantes: neste post falarei apenas de dois:

  • br.com.itexto.pages – contém as páginas do projeto
  • br.com.itexto.components – contém os componentes

E na pasta “src/main/resources” também são criados alguns diretórios interessantes:

  • src/main/resources/br/com/itexto/pages – contém os templates das páginas (falaremos mais sobre isto mais a frente)
  • src/main/resources/br/com/itexto/pages/components

Os mesmos nomes dos pacotes se repetem nas pastas criadas em “src/main”. Como disse no início deste post, uma aplicação Tapestry é composta essencialmente por páginas. Uma página, por sua vez, tem duas faces:

  • O código fonte Java que representa o “controlador” do projeto.
  • Um arquivo de template, que deve ter exatamente o mesmo nome da classe que a representa, na pasta “src/main/resources”. Estes templates tem a terminação “.tml”

Com base no exemplo acima, alterei o código fonte do arquivo “Index.java” para que fique tal como o exposto a seguir:


package br.com.itexto.pages;package br.com.itexto.pages;

public class Index{

public String getRandomico() {
return java.util.UUID.randomUUID().toString();
}
}

Note que é uma classe Java simples, sem a necessidade de realizar qualquer implementação de interfaces ou uso de anotações. Alterei também levemente o arquivo de template relacionado (src/main/resources/br/com/itexto/pages/Index.tml) para que fique tal como no exemplo a seguir:


<html t:type="layout" title="inicio-tapestry Index"
xmlns:t="http://tapestry.apache.org/schema/tapestry_5_4.xsd"
>
<p>Randomico como ${randomico}</p>
</html>

(Quando acessamos a URL do projeto, é a página Index que será renderizada para o visitante. Se você quiser experimentar, crie páginas com o nome “Teste” (contendo o código Java e o de template) e acesse as URLs diretamente para brincar.)

O template é a outra face da página: é o conteúdo HTML que será renderizado. No caso do Tapestry, é XHTML que usamos na realidade (HTML formatado como XML). Em seu interior, incluímos uma expressão: ${randomico}, que irá renderizar o valor retornado pela função getRandomico(), definido na classe Index.java. Tapestry usa a especificação JavaBeans do Java para definir as expressões que serão usadas na renderização das páginas.

Coloque a aplicação para executar em sua IDE usando o comando “mvn jetty:run” para ver o resultado, que será similar ao exposto na imagem a seguir:

Recarregamento dinâmico de classes

Agora, com a aplicação ainda em execução, faça o seguinte experimento: modifique a função getRandomico() da classe Index para que retorne diferentes valores, sem parar a aplicação. Carregue novamente a página: a mudança é instantânea.

Vá além: crie outros “getters” para novas propriedades e vá incrementando o arquivo de template. Note como mesmo novos métodos são detectados instantaneamente na aplicação sem precisar realizar qualquer tipo de reinicialização. Isto dá muita produtividade no desenvolvimento. A propósito, observou a velocidade com que a aplicação é iniciada?

E os componentes?

Bom, vendo a última imagem você deve ter notado que é renderizada uma barra de navegação, mas não a digitamos no código fonte do template. Notou? Então vou repetir o código aqui:


<html t:type="layout" title="inicio-tapestry Index"
xmlns:t="http://tapestry.apache.org/schema/tapestry_5_4.xsd"
>

<p>Randomico como ${randomico}</p>
</html>

O template define que ele é de um dado tipo: “layout”. Você notou que existe uma pasta chamada “components” em “src/main/resources” e também um pacote chamado “components”? Se você abrir o código fonte do arquivo “src/main/resources/br/com/itexto/components/Layout.tml” verá que a barra de navegação, assim como o rodapé e toda a identidade visual está aí. E também vai achar um trecho similar ao exposto a seguir:

<div class="container">
<t:body />
<hr />
<footer>
<p>&copy; Your Company 2015</p>
</footer>
</div> <!-- /container -->

Sabe esta tag <t:body/>? Ela inclui o conteúdo da página Index no interior do Template. É um mecanismo muito similar ao Sitemesh do Grails! Na realidade é um pouco mais que isto, mas para este post inicial, creio que esta definição será o suficiente.

Código fonte do exemplo

O código fonte deste projeto pode ser encontrado neste link. Talvez eu o evolua no futuro conforme novos posts surjam no blog.

O que o Tapestry não tem e não é

É importante salientar que este não é um framework full stack tal como o Grails ou Spring Boot (dependendo da configuração). Quando criamos um novo projeto ele não vem com a camada de persistência pré-configurada. É necessário realizar esta configuração manualmente, tal como exposto na própria documentação.

O projeto já vêm com algumas configurações prontas, tal como o mecanismo de logging e algum CSS, baseado no bootstrap, mas não muito mais do que isto.

Também é importante observar o seu foco: são aplicações web que contenham páginas interativas, não APIs REST. É possível configurar no mesmo projeto um segundo framework para prover estas funcionalidades, tal como o JAX-RS ou mesmo o Spring, mas não recomendo isto.

Sei que não mencionei neste post nada relativo à gestão de sessões, mas este é outro aspecto interessantíssimo do Tapestry: não é um destes frameworks no qual você tem a sessão explícita. Lidamos com ela de uma forma indireta através de anotações que incluímos em nossas classes (@Persistent). Sendo assim, para projetos que precisem lidar diretamente com sessões (cada vez menos o caso), Tapestry também não se aplica.

Conclusões finais sobre este contato inicial

Neste post mostrei apenas o básico do básico do básico do Tapestry (quase nada pra ser sincero). Muita coisa ficou de fora, tal como a forma como é realizada a navegação entre as páginas, gestão de sessão, formulários, inversão de controle, etc.

Meu objetivo foi apenas gerar algum interesse pelo framework e, talvez, criar o post inicial que me permita ir detalhando aos poucos como o Tapestry funciona conforme vou avançando nossos estudos a seu respeito.

Estou achando uma solução muito interessante: mais interessante que o JSF na minha opinião, pois é mais fácil de aprender e oferece uma produtividade muito superior. Isto sem mencionar no desempenho, que foi um dos fatores que mais me surpreendeu.

(tal como mencionado no início deste POST, para implementar APIs REST não é uma solução interessante. Aliás, nem sei se faria sentido, dado ser focado em componentes, e não em ações, tal como ocorre no Grails e Spring MVC)

Dado o estado atual da comunidade (ao menos minha percepção inicial), não sei se o recomendaria para iniciar novos projetos, mas em relação a este aspecto apenas o tempo me dará uma resposta satisfatória. Entretanto, se o tempo mostrar que ainda há gás nesta comunidade, sem sombra de dúvidas que o incluirei em nosso radar.

Visto que tão pouco se escreve a respeito do Tapestry ultimamente, creio que no mínimo estes meus posts servirão para atrair interessados a seu respeito. Mesmo que você jamais o use, as ideias que ele trás já valem à pena conhecer.

Mais fontes sobre Tapestry

Talvez você tenha se interessado pelo framework. A documentação oficial apesar de boa não é suficiente. Sendo assim, seguem alguns links que estão me ajudando no aprendizado:

Tapestry Jumpstart – quase um cookbook de Tapestry

Wiki do projeto – tem algumas informações que não constam na documentação oficial

Este tutorial da Tutorials Point – no formato PDF, é um complemento bem interessante para o tutorial oficial

Tutorial oficial – apesar de estar quebrado o HTML, me ajudou bastante

Groovy/Grails, Spring e JavaScript Brasil por dentro – nossa arquitetura de comunidades

Cinco anos atrás escrevi este post descrevendo como era a arquitetura do Grails Brasil (hoje Groovy e Grails Brasil). As coisas caminharam bastante desde então: de um código fonte que tinha como objetivo atender um único site (Grails Brasil), pouco a pouco este evoluiu para que se tornasse uma solução capaz de atender qualquer comunidade.

Ao lançarmos o Spring Brasil demos o primeiro passo no que diz respeito a este objetivo: era essencialmente o código fonte do Grails Brasil com uma série de pequenas modificações (essencialmente a remoção de tudo o que era específico apenas daquele site). Já no caso do JavaScript Brasil demos o passo quase derradeiro: é o mesmo código fonte do Spring Brasil: todas as customizações (especialmente visuais), entretanto, passaram a ser o resultado de mudanças na configuração.

Acho que é interessante contar a história técnica por trás deste projeto (ela descreverá sua arquitetura). Curiosamente, não temos um nome para este código fonte: antes era “Grails Brasil”, hoje o chamamos de “Komunidade” ou o nome do site no qual estamos trabalhando.

A história

O início em PHP

A primeira versão do Grails Brasil veio em 2008 e era na realidade uma instalação do phpBB. Sim, você leu certo: o Grails Brasil era um site escrito em PHP. O criei para aprender Grails e o phpBB era uma solução muito interessante na época: fácil de instalar (fiz isto usando um assistente da Hostnet na hora do almoço) e manter. Além disto, era o que precisávamos na época: um fórum básico.

Esta solução nos atendeu bem por um ano ou dois. A hospedagem era relativamente barata, mas com o tempo foi ficando mais cara por dois motivos:

  • A comunidade cresceu bastante e sempre estávamos superando nosso limite de banda.
  • SPAM quase nos destruindo: gastava uma boa parte do meu dia apagando SPAM do site.

Em um primeiro momento fiz modificações no código do phpBB para reduzir estes problemas. Não tive bons resultados e por um tempo pensei seriamente em matar o projeto.

Segunda fase: primeira versão em Grails

Lá por 2008, 2009 tive meu primeiro contato com servidores cloud que passaram a se mostrar como uma alternativa bem mais viável (plano free tier da AWS pra ser mais preciso). Até então hospedagem Java era ou muito cara (pra mim) ou muito limitada (precisava enviar um WAR para o serviço que oferecia um Tomcat compartilhado, algo muito tosco).

Foi a oportunidade para poder finalmente ter a primeira versão em Grails do site. Dois objetivos me guiaram para esta mudança:

  • Meu custo com hospedagem deveria ser menor.
  • O problema do SPAM deveria ser definitivamente resolvido.

Foi escrita então esta primeira versão do site em Grails (versão 1.3.7, que foi usada até ano passado ou retrasado se não me engano – hoje usamos a versão 3.2.8). Dado que serviços como AWS costumam cobrar por processamento, foi o momento ideal para que eu pudesse otimizar ao máximo meu código (o que me levou a um conhecimento bem mais profundo da linguagem Groovy e da própria JVM).

E nisto foram tomadas uma série de decisões que são refletidas no código até hoje:

  • Dado que já existia uma base de posts vinda do phpBB, e este usa uma sintaxe chamada bbCode no armazenamento dos posts, a próxima versão do site deveria manter esta compatibilidade (até hoje usamos bbCode para escrever os posts).
  • As buscas não deveriam tocar o banco de dados: sendo assim adotamos o Lucene como nosso motor de indexação usado em todas as nossas consultas (já notou como são rápidas?).
  • Dado que meu objetivo era reduzir custos, e minha instância no free tier da AWS tinha 612 Mb de RAM, neste mesmo servidor deveriam ser executados o MySQL e o Tomcat. Logo o sistema poderia consumir, no máximo, 300 Mb de RAM (consome isto até hoje).
  • O site tinha de ser mais rápido que o phpBB (consegui, é ordens de magnitude mais rápido). Logo o que pudesse ser feito assincronamente deveria ser feito desta maneira (por isto e-mails não são enviados na hora, mas sim esporadicamente, assim como atualização de acessos e pontuação dos membros).
  • A esmagadora maioria dos acessos ao site são para simples consulta (10% se registram e menos ainda chegam a postar conteúdo), sendo assim SEO é prioridade (idem a busca).

E assim surgiu o Grails Brasil escrito em  Grails. Uma série de medidas foram tomadas para atingir estes objetivos, todas elas descritas neste antigo post (e as adotamos ainda hoje).

Terceira fase: Spring e JavaScript Brasil

Até 2015 o código do Grails Brasil se manteve essencialmente o mesmo, apenas com pequenas correções. A partir de 2016 começaram mudanças mais significativas.

A primeira delas dizia respeito à atualização do próprio Grails: passamos a usar a versão 3 e, pouco a pouco, fomos migrando até a versão 3.2.8, usada hoje. Por que levou tanto tempo para fazer este upgrade? A versão antiga me atendia muito bem. Uma boa decisão tomada lá atrás? Ter usado pouquíssimos plug-ins, o que tornou o upgrade muito fácil (em questão de horas estávamos na versão 3.0 do Grails). Além disto estava claro que precisávamos atualizar o código fonte para termos algo durável (Java 6??? Bora pro 8!).

Já fazia um tempo que queríamos criar novas comunidades, então era também a hora de podar o código fonte, removendo tudo aquilo que só fazia sentido no Grails Brasil do novo código. Foi ótimo por que conseguimos otimizar ainda mais o que já tínhamos.

(hoje como consequência temos duas bases de código: uma para o Grails Brasil, outra que atende as outras comunidades para que pudéssemos manter as funcionalidades para os membros atuais do site)

Novos objetivos arquiteturais

Modificações do site em tempo de execução

Ao lançar novas versões do site sempre havia momentos nos quais me deparava com pequenos problemas de layout, conteúdo textual ou JavaScript nos quais detectava problemas logo após ter implantado a solução. Aí era necessário gerar um novo WAR e realizar todo o processo de deploy.

Isto ocorria por que sempre havia um ou outro ponto de configuração que ficava no próprio código fonte (o próprio HTML gerado pelo site, por exemplo, pode ser visto desta forma). Hoje todas as configurações encontram-se externalizadas no banco de dados. Com isto, se queremos modificar, por exemplo, o rodapé do site após a versão ter ido pro ar, hoje é possível.

Erros de layout devido a problemas no CSS? Ok, podemos mudar também. Apenas a título de curiosidade, o JavaScript Brasil passou por umas 20 correções de layout de ontem até hoje (23/8/2017). Sabe quantos deploys foram feitos? 1.

Além disto o conteúdo que aparece nas laterais do site, rodapé e cabeçalho também podem ser modificados hoje com o site em execução, o que nos permite trocar anúncios de uma forma muito mais ágil.

Não só isto: configurações de tarefas agendadas, acesso às integrações essenciais (e-mail, redes sociais e no futuro até mesmo a conexão com o SGBD) são hoje trocadas a quente.

Criação rápida de novas comunidades com o mesmo código fonte

O objetivo é que o “Komunidade” seja como o WordPress. Você baixa a distribuição, configura o acesso ao banco de dados, escolhe um tema e voilá, tá criado um novo blog ou, em nosso caso, uma nova comunidade.

A versão atual é exatamente assim. Pegamos o código fonte, definimos a configuração de acesso ao banco de dados, geramos o WAR, criamos um tema, configuramos no banco de dados do projeto os detalhes da comunidade (seu nome, regras de conduta, quais links são expostos, aonde ficam nossos arquivos de template de e-mail e temas visuais e mais uma série de outros detalhes), instalamos no Tomcat e pronto: uma nova comunidade surge.

Levou algo em torno de umas 4 horas para termos uma primeira versão aceitável do JavaScript Brasil (e nós nem sequer tocamos no código fonte do projeto).

Tornar a abertura do código fonte algo viável

Este tem sido o objetivo já faz algum tempo. Infelizmente ainda há informações no código fonte atual que não devem ser publicadas. Este é o principal motivo por que ainda não existe um repositório no GitHub com o código do Komunidade.

Mas posso dizer que o último release não deu mais um passo nesta direção, mas sim um salto quântico. A esmagadora maioria das informações que mencionei acima não existe mais. O objetivo agora é tornar este código fonte o mais fácil possível de ser mantido E entendido por novos colaboradores.

Mais do que tornar o código fonte mais legível, temos de ter uma distribuição do “Komiunidade” que possa ser usada também por não programadores. Algo como o WordPress.

(diga-se de passagem, uma pessoa que não sabe programar é que fez o tema do JavaScript Brasil, absolutamente sozinha)

Também falta melhorar a documentação do projeto: código Grails é muito fácil de ser entendido, mas não é o suficiente (nunca acreditei naquele papo de “meu código é minha documentação”).

Então, aos que sempre me pedem acesso ao código fonte o que posso dizer neste momento é isto: será eventualmente aberto, mas de uma forma correta e em grande estilo, não por pressão.

O futuro

Lá em cima mencionei que hoje temos duas bases de código: “Grails Brasil” e “Komunidade”, certo? Isto é temporário pois o objetivo é ter apenas uma. Mas como fazer isto se no código do Grails Basil há tanta coisa que só faz sentido nele?

Já estou trabalhando em uma arquitetura de plug-ins para este projeto (WordPress sempre é  inspiração). Sendo assim, tudo aquilo que era específico do Grails Brasil será transformado em um pequeno módulo, que possa ser instalado em uma instância do “Komunidade”.

Com isto é possível ter seções distintas em instalações separadas do Komunidade. É possível, por exemplo, termos uma seção em uma instalação do site que seja na realidade um plug-in. O core será bastante diminuto, e a seu redor os plug-ins orbitarão: tal como ocorre no Eclipse, Netbeans e, claro, no WordPress também.

No que diz respeito ao frontend, ainda temos receio a respeito de uma grande mudança, tal como a adoção de um framework JavaScript ainda tenho algum receio pois um dos nossos objetivos é ter código duradouro e, sinceramente, ainda hoje não vi soluções que tenham passado no teste do tempo (com exceção do jQuery talvez).

E enquanto isto vamos evoluindo pouco a pouco o código que temos. Esta é a história do projeto até agora, grandes novidades virão em breve como sempre. Espero que tenham gostado.

E se inscrevam no Spring Brasil e JavaScript Brasil, pois o principal objetivo por trás dos dois projetos é criar discussões bem acaloradas sobre estes temas!