Leitura: modo de usar

Se você acompanha este blog já deve ter notado que um dos meus assuntos favoritos é a leitura (basta ver os dois últimos posts aqui e aqui, além da minha lista anual de boas leituras do ano). Curioso que a leitura só se tornou algo realmente importante para mim bem tarde: eu tinha lá pelos meus 17, 18 anos.

Ainda mais interessante é saber que fui um analfabeto funcional até os 21 anos, quando ingressei no curso de Filosofia.

Até 2014 eu acreditava que a educação era um problema sério em nosso país, a partir de 2015 passei a ter a certeza de ser o que irá (e já está) destrui(r|ndo) esta nação. Então este post é sobre a única ferramenta que conheço e sei ser capaz de alavancar a vida de alguém: a leitura.

Como ela alavanca sua vida

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Eu tinha 18 anos, três bombas em meu currículo escolar e uma vida confortavelmente vadia. Escola pela manhã, tarde e noites livres para fazer o que quisesse: ao final do bimestre corria atrás para tirar média nas provas e ao final do ano me safava de outra bomba ao passar nas constantes recuperações. Engraçado pensar como a mediocridade parecia massa naqueles dias…

Alguns conhecidos já estavam na faculdade e uns raros fazendo intercâmbio, eu ainda no segundo grau. Como eram pessoas distantes, não passavam de mera curiosidade: pareciam seres super dotados, sortudos ou beneficiados (inveja detected). Depois de um tempo muitos amigos próximos começaram a ferrar suas vidas de maneiras assustadoras, e ainda não sei como não ocorreu comigo (mortes, acidentes, doenças facilmente evitáveis, sequelas de drogas, paternidade precoce…).

Veio o primeiro vestibular, quase todos os sobreviventes passaram e eu não. Foi quando percebi que aqueles que estudavam conseguiam se distanciar de um destino desagradável. Notei algo que diferenciava os sobreviventes dos demaiso estudo.

A mediocridade agora se apresentava a mim como uma doença: aqueles que chamei de sobreviventes na realidade estavam vivendo. Eu sobrevivia: a cada ano ficava mais velho e sem saber o que fazer. Temia me juntar aos que haviam falhado de maneira tão estúpida. Na realidade, quase todos me viam como sendo pertencente ao grupo dos que ficaram.

Entrei no pré-vestibular e fiquei por quatro meses, na sequência fui para o mercado de trabalho (em uma Livraria), estudei feito um louco e passei em sexto lugar no vestibular de Filosofia. Neste processo de um ano me afastei do cemitério e desde então as coisas só melhoraram.

A leitura me apresentava alternativas que até então sequer imaginava: coisas que não te contam na mesa do bar, experiências que não são facilmente acessíveis, possibilidades que não se espera. Resumindo: os textos me expunham a objetos que só teria acesso em uma conversa se tivesse muita sorte.

Mais do que isto, ao aprender algo novo surgiam conexões entre os assuntos. Eu via, por exemplo, a maçã da Apple, que estava ligada à de Newton, que também referenciava a tentação (por isto mordida). Os videogames se tornavam mais ricos também: o cogumelo do Mario não era apenas um cogumelo mágico, era uma referência à “Alice no País das Maravilhas”.

E do ponto de vista financeiro também era ótimo: na livraria o cliente mencionava um assunto, eu sabia que ele estava relacionado a outros e quais livros os continham e nisto vendia mais, o que me incentivava muito a ler mais livros, que conhecia em meu tempo ocioso na loja. Iniciou-se um ciclo: quanto mais lia mais vendia.

Ao vender mais livros, via que o processo de organização da loja era uma merda pois o software era um lixo. Nascia o primeiro produto da itexto, que foi a Plataforma Livreiro. E então eu tinha contato com mais livros de informática para aprender a programar melhor, e com isto fui me tornando o que realmente queria ser e serei sempre: um programador.

Neste momento começo a detectar as ideias e relaciona-las entre si.

Como aprendi a ler aos 21 anos

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Meus anos na escola foram descartáveis: era péssimo aluno. Creio que o ensino também não era tão bom assim pois nos quatro meses de vestibular “aprendi” tudo o que me fora ensinado nos 14 anos que passei na escola. Claro que agora eu pagaria um preço altíssimo por minha vadiagem.

De todos os cursos escolhi um dos quais a disciplina de estudo era das mais ferrenhas. Eu mal sabia português (até hoje não se sabe como aprendi inglês na infância), e de repente era necessário conhecer o mínimo do francês, grego, latim, alemão. Ainda pior: minha leitura era extremamente ineficiente. Era um procedimento estritamente linear, diversas palavras eu não conhecia e ao final dos textos creio que captava no máximo uns 20% do conteúdo.

Era claro que a coisa não estava funcionando e não iria funcionar: meu destino zumbi se aproximava novamente. O interessante é que os professores detectaram esta falha não apenas em mim, mas na maior parte da turma, razão pela qual tivemos uma matéria especial cujo objetivo era justamente aprender a estudar. Foi quando aprendi a ler de verdade.

Ok, em um primeiro momento eu conectava as ideias que conseguia captar. A partir de agora além de captar mais ideias, eu também as entendia a fundo e as questionava. Como?

Como ler um texto

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Ler não é um ato passivo. Seus olhos não devem simplesmente seguir as linhas repetindo em sua cabeça as palavras impressas. O leitor deve assumir uma postura ativa diante do texto. Pode soar curioso para alguns, mas o texto não é um monólogo e sim um diálogo com o leitor.

Terminou o parágrafo ou frase, se questione: aquilo faz sentido? Você realmente entende aquilo que foi dito? Consegue pensar em exemplos que ilustrem aquela situação? Visualizou a cena? O parágrafo não deve terminar com um ponto ou exclamação, mas sempre com uma interrogação na mente do leitor.

O texto é uma pergunta: o bom autor te incita a pensar (de preferência naquele momento). Ainda mais importante: nem sempre o autor está certo. Uma leitura rica envolve a discordância do leitor em relação ao autor. Discordou? Então tenha certeza de que teve uma experiência foda.  A leitura deve ser uma discussão. E não, um livro do qual se discorda não é necessariamente um livro ruim.

(quer um bom exemplo disto? Leia Platão: em diversos pontos de seus diálogos ideias erradas são inseridas propositalmente para incitar o leitor a discordar. E o mais importante: raríssimas vezes chega-se a uma conclusão – é a aporia)

A leitura proveitosa é um processo lento. Muito lento (demorei 10 anos para terminar as 80 e poucas páginas do Tractactus do Wittgenstein, que talvez tenha sido a melhor leitura da minha vida). Requer que tenhamos o que Hegel chamava de paciência do conceito.

O leitor não pode sucumbir à ansiedade. O autor ao expor a informação o faz de uma forma construtiva, uma ideia por vez, e estas ideias são trançadas como um bordado. Aliás, sabe qual é uma das origens etimológicas da palavra texto? Tecido.

Quando todas as ideias se conectam (você chegou ao final do texto), a tapeçaria final lhe é exposta. Você questionou cada uma de suas linhas e agora tem uma visão global da intenção do autor ou, melhor ainda, da sua interpretação sobre o que foi escrito.

O vídeo ou o áudio não lhe proporcionam de maneira tão fácil este diálogo que descrevi acima. Aliás, temo que o excesso audiovisual dos dias atuais ao nos isolar desta conversa terminará por nos emburrecer. Você pode até mesmo pensar que está aprendendo com um audiobook ou vídeo, mas nossa postura é mais passiva que ativa nesses meios.

A leitura é um jogo não linear. Ler linearmente é desperdício do seu tempo. Pense naquele texto difícil, você passa pelos parágrafos em sequência? Eu não: na realidade luto com eles. Volto ao início, releio diversas vezes, pego um marcador, o risco em n partes, às vezes até mesmo xingo o autor verbalmente. Há termos desconhecidos? Busco no dicionário/internet, penso no significado e se foi bem aplicado. É o diálogo novamente.

Você também pode voltar não apenas ao início do parágrafo, mas páginas atrás. Nestes casos marco meus livros com o que tiver em mãos. No caso de PDF, melhor ainda, pois as possibilidades são ainda mais interessantes e não preciso comprar mais de uma cópia física do livro (sim, em alguns casos tenho mais de uma cópia do livro, justamente devido às anotações e marcações que faço nestes).

Um texto denso quando lido linearmente normalmente é um texto denso mal lido e portanto pouco compreendido. Pior: é seu tempo jogado fora e talvez uma baixa em sua auto estima.

Sabe aquelas notas de rodapé? Valem ouro, leia todas também. Aliás, uma dica: há livros nos quais as notas são mais interessantes que o conteúdo principal. Não foram inseridas por acaso, estão ali por que abrem trilhas de pesquisa para o leitor: estão ali por que se fossem inseridas no texto principal afastariam demais o leitor do objetivo original da obra.

Vejo as notas de rodapé como “conexões gratuitas entre ideias”. O autor está ali te mostrando que há conexão entre o texto principal e outros assuntos que se encontram fora do escopo original do trabalho.

Ainda mais interessante é quando o leitor se torna autor. Não basta apenas dialogar, você também tem de fazer suas notas a respeito do que está lendo. Por que isto é importante? Por que você só conhece algo quando de fato consegue descrevê-lo em palavras, principalmente quando forem compreensíveis por outras pessoas que não sejam você.

Quando digo notas não quero dizer resumos, digo novos textos mesmo. Nos ensinam errado a estudar: não é repetir o que o autor disse. É externalizar as suas próprias ideias, surgidas a partir da leitura como conteúdo novo. Quando chegamos a este ponto o ciclo da leitura se fechou: leitor se tornou autor, que agora irá interagir com outros leitores e por aí vai.

Este blog, por exemplo,  é a materialização deste ciclo. Basta ver os posts mais antigos, como este.

Dicas de leitura

Eu não podia terminar um post sobre a leitura sem dar dicas de leitura sobre a… leitura, certo? Então seguem dois livros que adoro sobre o assunto.

Uma História da Leitura – Alberto Manguel

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O título já diz tudo: é a história do ato de ler. Este livro tem a introdução mais bonita que já li. Uma leitura maravilhosa. Além de tudo é ilustrado, e com excelentes imagens que realmente enriquecem muito o conteúdo.

Uma história inusitada para a nossa ferramenta mais poderosa. De novo: leitura maravilhosa!

Como se faz uma tese – Umberto Eco

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Ainda vou escrever um post sobre como estudar. Enquanto isto, alguém que fez um trabalho muito melhor foi o Umberto Eco neste livro. Nele você aprenderá como é o ofício do pesquisador/autor. Sabe aquele negócio que mencionei de ter mais de uma cópia física do livro como objeto de trabalho? Aprendi aí.

Como se faz um fichamento, como se marca um livro, como se escreve resumos, enfim, como escrever um livro técnico de uma forma minimamente decente.

Interessante que é o ofício do pesquisador antes da Internet.

Conclusão?

Este post não tem conclusões. Quis apenas expor aqui como trato o ato da leitura por saber que é uma forma eficiente de se aprender e também devido ao meu medo de que estejamos iniciando um processo de emburrecimento coletivo com o excesso audiovisual.

Se a leitura for vista como um ato interativo e não como algo passivo tenho certeza de que terei dado minha contribuição.

PS: livros interativos não funcionaram. Prova disto foi a morte da indústria do CD-ROM, que não foi substituída pela Internet.

Eu e os livros técnicos: sou exigente?

Após ter escrito meu último post algumas(muitas) pessoas me disseram que sou muito exigente e que se há livros ruins sendo vendidos, isto ocorre por que há quem os compre. São pontos realmente interessantes, e que levantam uma série de questionamentos – ao menos para mim – no mínimo fascinantes.

Primeiro algumas coisas que eu devia ter tornado mais claras no post anterior

De novo sobre a importância da bibliografia

Ouvi algumas vezes a seguinte frase: “realmente, bibliografias são ótimas para que possamos nos aprofundar no assunto”. Creio que não fui claro o suficiente, então direi agora: a bibliografia mostra que o autor realmente estudou.

Recentemente peguei um livro técnico que tinha exatamente quatro referências bibliográficas. Este autor realmente estudou? Solto então um parâmetro de avaliação que nunca me falhou:

A qualidade de um livro técnico é diretamente proporcional ao tamanho de sua bibliografia.

Resumindo: bibliografia não é feature, mas sim requisito fundamental.

O peso da responsabilidade

As pessoas levam muito a sério o que leem nos livros. Não raro consideram como referência imediata o(s) autor(es) daquilo que compram. A razão por trás disto é simples, como bem dizia um antigo professor meu (José Henrique Santos, lá na FAFICH) que parafraseio agora:

A mentira existe por que as pessoas esperam ouvir a verdade.

Se o livro foi publicado, o que o leitor espera? Que ele tenha sido bem editado, que o autor tenha se preparado para realizar o trabalho de transmissão de conhecimento, que tenha sido realizado um bom trabalho de revisão, que a editora tenha bem selecionado o autor que irá publicar. Há uma relação de confiança imediata aqui.

Resumindo, visto que você, como autor, será levado a sério e suas palavras guiarão o leitor em sua vida profissional (podendo gerar grandes prejuízos), se a editora for incompetente em seu trabalho ou o autor um aventureiro, estamos lidando com perigosos irresponsáveis.

(sim, você leu bem: estou te chamando de fanfarrão)

Autor e editora são responsáveis pelo trabalho de merda que podem produzir, e acho tristíssimo o fato de ser uma das poucas pessoas que levantam esta questão aqui, mas talvez eu seja uma pessoa exigente demais…

Sou um sujeito exigente?

Pouca gente lembra hoje, mas minha vida profissional começou literalmente entre livros. Eu era livreiro (vendia livros), depois o primeiro produto comercial da itexto foi um ERP vertical para Livrarias, Editoras, Bibliotecas e Distribuidoras de Livros (Plataforma Livreiro) e, no meio do caminho fiz o curso de Filosofia (pasme, pensando em vender mais livros), cuja parte prática é essencialmente o esforço de pesquisa necessário para que livros possam ser escritos e depois publicados.

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Resumindo: conheço de ponta a ponta o processo que se inicia na pesquisa, evoluí para a escrita, trabalho editorial, comercial e posterior conservação e manuseio do livro que você comprou e guarda em sua prateleira. Este é meu aspecto bibliófilo.

Na outra ponta sou também um empresário que contrata programadores, e que fica horrorizado a cada processo seletivo com a baixíssima qualidade da formação que as novas gerações estão obtendo. Formação esta que vêm não só dos cursos, mas também daquilo que se lê, daquilo que se vê e ouve em eventos.

(tenho um post quase pronto com o seguinte questionamento: como saber quem nos forma?)

Sendo assim, dado que conheço tanto o esforço necessário para se escrever um livro de qualidade (diga-se de passagem, escrevi dois) quanto das consequências de más publicações para o leitor, digo que não sou um leitor exigente, mas sim…

Alguém agindo de forma ética ao não se omitir em relação a algo que sabe trazer problemas imensos para nossa área.

“Há livros ruins por que há quem os compre”

Serei curto e grosso: esta afirmação é covarde e desonesta.

Covarde por que livra da culpa maus autores e editoras e a transfere ao consumidor. Se “esquece” que, tal como disse acima, o leitor ao adquirir um livro espera qualidade e só descobre depois (se tiver sorte) que comprou merda.

Desonesta por que tira das editoras e autores a responsabilidade de formar o leitor, lhe fornecendo as ferramentas necessárias para que possa avaliar o material antes de comprá-lo. Tira-se proveito da confiança do leitor.

Quem afirma este absurdo se esquece (ou omite) algo essencial: leitura é formação, e formação não é um produto cuja qualidade “possa” vir em diferentes níveis. Formação molda mentes, define seu futuro.

(por que não permitimos que um médico irresponsável nos opere mas não gritamos quando nossos filhos tem contato com maus professores e livros?)

A qualidade do livro técnico surge no autor, é validada pela editora e transmitida ao leitor. Este, o elo final da processo, deve ser acostumado não a consumir bobagens, mas sim material de qualidade para que, por sua vez, ao ser bem formado, possa ter o ferramental intelectual para detectar trabalhos ruins, minimizando assim o risco de que sejam publicados.

(Meu medo de um mundo sem editoras é justamente a proliferação de livros muito ruins, o que acabaria por ferir mortalmente a importância do livro técnico em si. Tutoriais e apostilas jamais deveriam substituir o livro.)

E aqui cabe algumas perguntas: se o mercado possibilita publicações ruins, quem ganha com isto no curto, médio e longo prazo? Qual o maior benefício (sempre há pelo menos um) em termos técnicos ignorantes? Por quanto tempo conseguiremos nos manter enquanto incentivamos a ignorância da nossa mão de obra?

Culpar o mercado ou o crítico é omissão

Material ruim ser publicado é um sintoma de algo mais grave: uma má formação geral  assolando nossa área. Não é apenas “ah… tem gente que gosta, por isto é vendido” ou “este cara é muito chato, tem muito livro vagabundo que quebra o galho e bem”.

Se o livro técnico é ruim, não temos uma editora pilantra e um autor picareta (na maior parte das vezes). Temos gente com formação ruim (aonde jamais poderia haver), que realmente acredita estar fazendo algo de qualidade e que valha à pena para seus leitores.

Os leitores, por sua vez, que serão as pessoas formadas por este conteúdo, acidentalmente acabam crendo naqueles que não sabem. Pieter Bruegel ilustrou bem esta situação no século XVI ao pintar a parábola dos cegos.
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PS:

O leitor tem lá sua parcela de culpa ao comprar livros ruins? Creio que dependa de sua formação. Mesmo que tenha lá sua fatia, com certeza é a menor: o aluno para criticar seu mestre precisa primeiro saber o que é bom.

Minhas leituras ruins de 2016 – como avalio livros técnicos

Todo final de ano publico algo neste blog sobre minhas boas leituras do período (farei isto agora em dezembro). Este foi um ano de muitas leituras e, infelizmente, boa parte delas considerei puro desperdício do meu tempo. Vou falar aqui de livros técnicos:  poderia listar uma longa lista de títulos, mas creio que é mais produtivo, ao invés, expor como avalio um livro técnico.

Não será uma avaliação geral sobre livros técnicos, mas sim sobre aqueles que me interessam, isto é, livros de programação. Talvez este post soe agressivo: é por que  é. Livro é algo que levo muito a sério. Literalmente minha vida se funda neles.

Entenda, minha crítica não é a blogs ou tutoriais. É a livros, vendidos como livros, pelos quais você paga ou com seu tempo ou com seu dinheiro ou com ambos.

O tutorial disfarçado de livro

O que busco ao comprar um livro técnico: um conhecimento aprofundado a respeito do assunto que estou estudando. A leitura vai além do simples “aprender como se faz”, vai além de um mero “passo a passo”.

Não quero aprender como persistir dados usando um banco de dados NoSQL, por exemplo. Quero saber como eles são persistidos, por que são persistidos como tal, o quê motivou a tecnologia a ser daquela maneira, os limites da tecnologia. Quero que minha experiência de leitura me leve a um nível superior de conhecimento. Estas perguntas foram respondidas? Meus livros favoritos responderam a estas perguntas ou ao menos tentaram e, ao tentar, me criaram questionamentos que me motivaram a pesquisar mais a respeito.

Entre gastar meu dinheiro lendo um mero “passo a passo” a ler a documentação oficial, prefiro a segunda opção. É de graça, é fonte primária, foi escrito por quem criou a tecnologia ou tem um contato mais íntimo com esta.

Mais do que isto: um bom livro vai além. O autor irá tratar dos conceitos que envolvem aquela tecnologia, se termino a leitura aprendendo e entendendo novos termos, tive uma boa leitura, terá valido à pena.

(Wittgenstein dizia que nosso mundo é nossa linguagem. Se você aprende novos termos, seu mundo cresce. E eu não creio nisto, eu tenho certeza.)

Nada impede um livro de ter lá seus tutoriais embutidos (tem de ter mesmo!), mas estes obrigatoriamente devem ser precedidos de uma boa abordagem conceitual ou estarem mergulhados nela.

Livro é pra aprofundar, tutorial é pra quebrar seu galho. Não seja tonto, economize seu tempo!

(agora, se o livro se vende como tutorial, é válido!)

O conhecimento que surge do autor, e apenas do autor – por que a bibliografia importa (e muito)

O livro tem bibliografia? Não? Tutorial disfarçado de livro detectado.

O autor foi o criador da tecnologia? Se sim, esta tecnologia foi criada a partir do nada? Se não, aonde o autor aprendeu sobre ela? Autor que não cita fontes caracterizo em uma das opções abaixo:

  • Desonesto intelectual.
  • Alguém que não tem o preparo mínimo necessário para publicar seu trabalho.

A bibliografia, que muita gente ignora, é vital. Ela nos possibilita:

  • Ter acesso às fontes primárias que possibilitaram a escrita do livro.
  • Nos aprofundar no conteúdo do livro através da leitura do material auxiliar.
  • Validar o que está escrito. Mostra que o autor não está expondo sua mera opinião.
  • Mostra a fonte que o autor estudou para compor seu trabalho. Isto é fundamental para entender de onde vêm as opiniões do autor. Mais do que isto, mostra que o autor estudou!

(livro técnico fundado em opiniões é livro furado)

Recentemente comprei um livro sobre um dos meus frameworks favoritos e fiquei chocado com o fato do autor decorrer o texto inteiro sem fazer uma citação sequer e, claro, sem bibliografia e, claro, era um reles “passo a passo”. Se este livro fosse físico, talvez eu o usasse para limpar cocô dos meus cachorros.

Resumindo: livro não tem bibliografia? Desconfie. Sempre olhe o índice. No exemplo acima cometi este pequeno deslize e mais uma vez perdi meu tempo.

(e olha: tem autor famoso (muito) por aí que além de não citar fontes, muda o nome de conceitos conhecidos há décadas para você achar que são criação sua. Fique esperto, nem o nada surge do nada)

Autor despreparado

Aqui entra um ponto que considero ser fundamental: a responsabilidade do autor. Quando você compra um livro, o faz esperando que o autor seja alguém que tenha vivência técnica com aquela tecnologia, certo? E quando não tem? Indo além, como detectar isto?

Fácil: primeiro que hoje temos ferramentas como LinkedIn, Facebook e blogs, que nos permitem, pelo menos checar o currículo do autor. Sabe aquela orelha na qual fala um pouquinho sobre o autor? Leia aquilo! Vai te poupar muito tempo. Não tem texto falando sobre o autor ou o texto é exageradamente curto? Desconfie.

E no livro, é possível detectar a experiência do autor? Yeap, mas é algo um pouco mais sutil. Normalmente autores que não tem uma vasta experiência com a tecnologia só falam bem dela. Não expõem dificuldades inerentes ou suas limitações (e todas elas são limitadas em algum aspecto, não se esqueça).

E aí entra outra pergunta: um autor com pouca experiência no assunto está proibido de escrever livros? Respondo: pode  se for intelectualmente honesto. O que quero dizer com isto? Simples: é 1000 vezes mais válido se apresentar como alguém que está iniciando-se na tecnologia que como um expert.

Aliás, ler as dificuldades de quem está começando em algo sempre é uma leitura extremamente enriquecedora dado que o leitor normalmente também está começando e portanto se identifica com o autor e suas dificuldades. Agora, já o expert com seis meses de experiência… desculpe, é picareta.

Título enganador (ódio!)

Alguns meses atrás na itexto quis comprar para um estagiário material sobre REST. Queria que ele entendesse bem os conceitos fundamentais e também algumas técnicas essenciais.

Foi quando cometi o erro de comprar um livro sobre o assunto escrito por um autor que muito considero só pela capa: qual não foi minha surpresa ao descobrir que mais da metade do livro era sobre Java, e não REST? Por que a merda do livro não colocou no título isto, ou mesmo no subtítulo? O que eu queria? Conceitual sobre REST. O que ganhei? Java EE!  AHHH!!!!! Pior. Eu nem li o livro e já passei pra ele! Até hoje peço desculpas!

Sabe o subtítulo? Ele tem uma boa razão para existir: sua função é enriquecer o título mostrando um detalhamento melhor sobre o que aquele livro trata. Assim idiotas como eu, que compram na correria não compram errado (e não, piadinha no subtítulo de livro técnico é muito sem graça, vai por mim).

Pior: muitas vezes você deixa de ler algo excelente por causa do título enganador. O melhor livro que já li sobre uma certa linguagem de programação, por exemplo, tem um título mais ou menos assim: “Linguagem X com Framework Y”.

O livro quase não fala de Y, e o que fala sobre X é brilhante e profundo. Muita gente não o compra achando que é sobre Y. Ao questionar o autor, sabe o que ele me respondeu? “A editora me disse que venderia mais se eu também falasse sobre Y”. Resultado: cagaram no livro (e num puta livro!).

Destraduções

Existe tradução e destradução no vocabulário Kiconiano. O ato de se traduzir um livro é de uma responsabilidade monstruosa. O tradutor, além de cumprir o seu papel literário, está também cumprindo um papel social. Está tornando acessível a uma camada enorme da população que não domina o idioma original da obra acesso a esta.

Aí você, que não sabe nada de inglês lê em seu livro “tipos de costume”. Pensa se tratar de uma abordagem social ligada à computação, certo? Errado, são tipos customizados. Agora dou nome a alguns bois como exemplo. Tenho uma cópia em português do “Arte do Desenvolvimento Ágil” e outra do “Hibernate em Ação” que se eu jogar na parede grudam de tão nojentas. Recentemente tive uma experiência péssima de leitura com o “Clean Code” para português também.

Mas aqui preciso ser justo: as traduções tem melhorado muito de uns anos pra cá. Ainda há problemas? Há, mas estão reduzindo e não posso tirar daqui esta minha crítica a livros que são bons no original e um cocô na tradução.

Ausência de índice remissivo

Sabe o índice remissivo? Aquele outro índice, normalmente presente no final do livro que é usado para que a gente saiba aonde um termo aparece no texto? Parece inútil né? Né não!!!

Dado que livro é material de referência, se ele for físico não ter esta informação toma muito meu tempo quando quero me lembrar aonde um conceito foi tratado. Sabe… não tem Ctrl+F em lívro físico. E por falar em livro físico…

O aspecto do livro físico

Parece futilidade, mas não é. Ainda sou uma pessoa que compra livros físicos e considero um tapa na minha cara, enquanto consumidor, quando vejo em minha prateleira um livro que comprei há seis meses simplesmente se desfazendo em minhas mãos.

Entendam algo editoras (nacionais e estrangeiras): se alguém compra um livro físico, tem dentre os interesses a durabilidade do que está comprando. Eu, por exemplo, gosto de livros físicos como material de consulta, no meu caso são inclusive ferramenta de trabalho.

Engana-se quem acredita que livros de informática têm curta durabilidade: no meu trabalho com pesquisa de legados, por exemplo, uso material que foi impresso duas, às vezes três décadas atrás (acredite se quiser).

Livro não é como periódico que tem curta duração. Já notou que as pessoas deixam os livros expostos em estantes por anos? É coisa feita pra durar, não pra se desintegrar com o tempo!

Claro, há livros e livros. Se o valor for muito baixo e o material for vagabundo, é até válido. Já se for caro, é inaceitável. Exemplo: minha edição do Introduction do Algorithms (paguei quase R$ 400,00 na época!) do Cormen: conteúdo lindo, fisicamente um LIXO.

Concluindo

Bom, estas foram minhas leituras ruins deste ano e do passado. Talvez como autor eu tenha cometido alguns destes erros (torço para que não). Achei que seria interessante compartilhar aqui o que mais tem me incomodado.

Claro que há exceções, sempre há. Sim, há um ou outro tutorial disfarçado de livro que é livro mesmo, mas são muito raros, extremamente raros. E naturalmente, esta é apenas a minha avaliação literária de livros técnicos então, se te ofendi… problema seu.

Daqui a pouco escrevo sobre as minhas excelentes leituras que fiz em 2016. Muito livro bom!

PS: este foi um post desabafo.

Minha apresentação “Enriquecendo seu ‘legado'” na DevCamp 2016 acaba de ser publicada!

Olha que legal: o InfoQ acabou de publicar o vídeo da minha apresentação “Enriquecendo seu legado” que foi realizada na DevCamp 2016.

Nela falo basicamente como vejo código pré-existente (vulgo legados), mas assistindo de novo, é essencialmente uma apresentação sobre aquilo que mais gosto: código e as pessoas que geram este negócio.

Espero que gostem! Segue o link: https://www.infoq.com/br/presentations/enriquecendo-o-legado

Eu e o empreendedorismo do palco

Em janeiro de 2015 Nanna e eu oficializamos a itexto: foi um dos momentos mais legais da minha vida pois um sonho (O sonho) muito antigo finalmente estava se concretizando. Setembro de 2016 está chegando e de lá pra cá já atendemos quase 30 clientes, formamos uma quantidade enorme de pessoas nas tecnologias que dominamos e as coisas caminham bem.

Caminham bem agora, após 16 anos de incontáveis tentativas, a esmagadora maioria fracassada devido à minha arrogância e ignorância. No meio do caminho decidi reduzir minha ignorância partindo para o mercado e buscando trabalhar com aqueles que fossem mais experientes que eu. Venci a arrogância ao reconhecer que pra comandar meu destino primeiro tenho de ter sido comandado.

Este investimento se pagou: observando os erros alheios (sempre os mesmos) pude chegar a algumas teorias que, finalmente, ao colocar em prática se confirmaram e o negócio começou a caminhar, o que se confirma no crescimento (muito) controlado da empresa em um período de crise econômica profunda do país.

E aí você achou que este seria mais um texto motivacional daqueles que geram uma vergonha alheia profunda né?

Esta “vibe empreendedora” me incomoda

(odeio a palavra “vibe”, mas foi a melhor que encontrei no momento, desculpe)

Vejo muito papo furado em apresentações sobre empreendedorismo, startups e cia. Como alguém que tem uma empresa de verdade, pagando salários e impostos reais, resolvi listar aqui parte das lorotas que dizem.

A ausência de uma palavrinha chave que começa com “R”

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Sabe: quando assisto a algum picareta no palco falando sobre sua “trajetória de sucesso” ou mesmo aqueles caras que claramente nunca abriram seu próprio negócio te dizendo como proceder raramente vejo uma palavra ser dita: responsabilidade.

Ok, você quer abrir seu negócio. Você sonha se tornar alguém que criou algo importante, mas já parou pra pensar na imensa responsabilidade que é ter seu próprio negócio?

Já parou pra pensar na honra que é alguém querer trabalhar contigo? Honra esta que não pode se tornar uma decepção. No compromisso que é mensalmente pagar todos os impostos envolvidos no pagamento de salário desta(s) pessoa(s)? Já se atinou pro fato que você pode fuder a vida de quem trabalha com você?

Se só tem sócios na sua empresa, será que sua empresa terá estrutura para ter pessoas recebendo no regime legal, que é o CLT?  Desculpe: você só sabe o que é ter uma empresa quando assinar a primeira carteira de trabalho de alguém.

E a responsabilidade que é alguém te escolher como fornecedor? Te escolheram, confiaram em ti e no seu serviço/produto: agora vai ter de corresponder.

Agora vamos para um nível acima: já parou pra pensar que ao abrir uma empresa você está influenciando a sua economia local? Que se seu negócio for pura lorota, você pode desacreditar todo um ramo?

Quase sempre a mesma historinha!

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Releia os três primeiros parágrafos deste post. É inacreditável como sempre escuto nas apresentações a mesma história composta por três atos.

  1. O empreendedor tem uma ideia que considera genial, mas ele é arrogante devido à sua própria ignorância. Ele segue em frente.
  2. Aparece um obstáculo e nosso herói sofre um forte baque. É o momento em que sua ideia é posta em cheque. Será que ele consegue vencer o obstáculo?
  3. Ele aprendeu com os erros, adaptou-se, adquiriu humildade: agora está mais sábio e tudo deu certo.

Há uma outra variação cruel desta mesma história. Segue abaixo:

  1. O empreendedor tem uma ideia que todos consideram idiota, mas ele tem e segue em frente.
  2. Ninguém acredita em nosso herói, mas ele continua. É o período tenso, no qual sua fé é testada.
  3. De repente sua ideia começa a funcionar! Todos percebem que estavam errados e não o herói, mas o mundo percebe que era arrogante e se redime.

Percebeu que há uma forma compartilhada?

  1. Nascimento da ideia – herói empolgado
  2. Momento da dificuldade – herói se questiona
  3. Dificuldade superada, sucesso atingido – herói confirma sua ideia (mesmo que a adapte)

Você realmente acredita que o mundo é tão simples assim??? Não são expostos muitos detalhes a respeito dos passos reais envolvidos no problema. É como Vitor Hugo, que dizia ter escrito Les Miserables de uma única vez. Anos após sua morte encontraram um baú com inúmeros manuscritos.

Resumindo: sempre o mesmo conto de fadas, a realidade é mais interessante (e árdua) que isto.

(aliás, este é o arquétipo mais básico do herói presente na literatura ocidental)

A ideia de que basta ter uma ideia e um… app

Claro, sou um desenvolvedor, quero trabalhar e tal, então não deveria dizer isto, mas é tanta gente iludida com a ideia de que para ser um empreendedor de sucesso você só precisa de um aplicativo e uma ideia…

E os caras falam isto no palco!!!

“Kico, se tivermos um app como o Krankster ficaremos ricos!” – Yeah! Nem precisamos pensar nas pessoas que cuidarão dos fornecedores, contato com clientes, manutenção, suporte, o computador resolve tudo pra nós!!! O Processo é o sistema!

“Nada pode dar errado!” (copyright)

A venda de uma vida sem sentido

O indivíduo é seduzido pela ideia de ter um negócio próprio, investe horrores na construção da infraestrutura necessária e começa a ver a coisa tomando forma.

Então chega uma pessoa e lhe pergunta: uma vez aberta sua empresa, como será seu dia a dia?

 

 

 

 

Um silêncio profundo dominará a conversa.

 

 

 

cricricri

Sério, já parou pra pensar nisto? Uma das razões pelas quais oficializamos a itexto foi nosso desejo de desempenhar um conjunto de atividades diárias no trabalho. Se você não sabe como será o seu operacional básico, pra quê abrir uma empresa?

Já parou pra pensar que uma vez aberto o negócio, você passará um bom tempo nele fazendo alguma coisa? Será que descobrir o que é esta “alguma coisa” depois é uma atitude inteligente?

A venda de uma realidade gringa

Arde: te mostram um modelo de negócio maravilhoso, aquela estratégia genial que funciona extremamente bem… na Europa e Estados Unidos.

São casos envolvendo ideias pouco convencionais no primeiro momento como Twitter (quem poderia imaginar: 144 caracteres!), Facebook, Apple (quem imaginaria um computador em casa?), Microsoft (os caras largaram a faculdade!) e por aí vai.

Mas não mencionam que lá existe uma cultura empreendedora centenária, uma economia brutalmente competente, um governo que não te sufoca com impostos, etc. Não mencionam que é um ambiente no qual você tem fôlego para falhar.

Sério: criar rede social no Brasil? Nossos problemas  são outros! Cansei de ver consultores ou investidores apresentando modelos gringos aqui.

E sinceramente, desconfio que o modelo de startup no Brasil é fadado ao fracasso por ser vendido, em sua maioria, baseado em ideias estrangeiras muito mal adaptadas à nossa realidade (basta pensar um pouquinho no próprio termo “startup”).

Gente que te ensina a abrir uma empresa e cuja própria empresa é… ensinar pessoas a abrir a própria empresa.

Meus comentários são desnecessários aqui.

(aliás, já escrevi a respeito)

As fórmulas prontas

“X passos para o sucesso”, “N oportunidades para ficar milionário em 2017”, “as Z coisas que pessoas de sucesso fazem todo dia”

Sério que as pessoas acreditam que a realidade é tão simples assim?

Levando em consideração a quantidade de leitores destes livros de “auto-ajuda para empreendedores”, era para estar pipocando milionários. Cadê eles?

Uma infantilização extrema

Por favor, faça o seguinte exercício: acesse o YouTube e busque por vídeos apresentando startups. É grande a possibilidade de você ver o seguinte:

  • Uma animação cartunesca
  • No fundo musical vai ter um banjo (99,99% de chance! Se não tiver banjo, tem pandeiro!)
  • Todas as pessoas sorriem por que todo mundo é divertido e o mundo colorido!

Talvez soe ranzinza mas… quem quer investir em uma empresa dirigida por pessoas assim? Oh: desculpe, talvez eu esteja com inveja por não fazer parte do grupo das pessoas legais… (percebo que não faço, sinto alívio!)

Esta infantilização se manifesta de forma clara quando observamos o uso repetido ao extremo da imagem do jovem prodígio.

Na realidade a infantilização nada mais é que a exploração da carência presente em cada um de nós (e sobre isto ainda escrevo um texto).

Então empreender é ruim?

Claro que não: o que quero mostrar neste texto é que abrir uma empresa não é algo simples ou fácil como este povinho picareta diz nos palcos. Empreender é algo sério e deveria ser um ato virtuoso, mas infelizmente aos poucos estão criando uma aura negativa em torno do verbo.

Quer abrir uma empresa, vai fundo, mas saiba aonde está entrando e nas consequências dos seus atos. Quer ver palestra de gente que diz te ensinar como agir? Vai lá e assista, mas pelo menos questione! Saiba assistir a uma apresentação.

Desculpem a franqueza, mas quem tem uma empresa real, como eu, ao assistir este conteúdo furado tem seu estômago revirado. Alguém tem de falar, tá chato ver a quantidade de pessoas afundando por que se iludem com estas lorotas.