O homem quase Pato – Para compreender o “quase Pato”
A compreeensão de nossa personagem é dependente de uma distinção que para a maioria é bastante sutil: o moral do ético. Nosso “quase Pato” era figura de imoralidade nítida e eticidade disfarçada. Como a educação recebida é basicamente cristã, estamos tão acostumados com os dogmatismos de nossa (que nunca foi nossa) “cultura” que por vezes aceitamos a falácia de que ética e moral andam lado a lado e, pior ainda, possuem o mesmo significado.
Na na ni na nã meus amigos. A moral na realidade inveja a ética e vice-versa. A distinção entre as duas rivais é muito simples: enquanto a moral se baseia em dogmas, a ética se baseia em argumentação.
A ética inveja a moral devido à sua vida fácil. Convenhamos: é moleza! Basta seguir algumas regrinhas básicas ditadas pelo padre, pastor, pai, mãe, presidente, Deus, lider de associação, carinha legal, etc. O moralista não possui crises de consciência. O moral é anti-ético e olha pra fora.
A moral inveja a ética por não possuir a sua “liberdade”. Considera-a uma metida a besta, que faz tudo o que lhe vêm à mente só porque se baseou em algum argumento que julga ser convincente. Esta liberdade dogmática irrita nossa amiga moral. O ético caga e anda para os dogmas. O ético é imoral e olha pra dentro.
No entanto as pessoas normalmente são morais e éticas, razão pela qual possuem inúmeros conflitos de consciência – o ideal seria se a moralidade olhasse um pouco pra dentro e a ética pra fora. E deste fato tirou proveito nosso incrível homem que ao fim da vida era quase um Pato.
Este quase Pato, pode-se dizer, era apenas ético. Bondade, maldade, amor e ódio não possuiam significado algum em si, mas sim em relação aos benefícios que poderiam lhe prover. Dizia amar a quem intencionava algo e simplesmente ignorar aqueles dos quais não via possibilidade alguma de ganho.
Logo, não se pode dizer que era mau ou bom, mas sim (muitos (me incluo) o consideram um monstro) um solipsista atrapalhado que cometeu o erro fatal: ignorou que causar o mal alheio só é um bom investimento a curtíssimo prazo. Pode até ser divertido, mas sai caro (e como)!
E este é o básico para se compreender nosso quase Pato.












